FHC promete a PSOL ajudar pequenos partidos em reforma política

Cristiane Agostine 

01/09/2015

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) prometeu ajudar o PSOL a articular no Senado a alteração da proposta que veta a participação de partidos pequenos em debates na televisão durante as eleições. A medida está em debate no projeto de reforma política e pode ser votada hoje. Ontem, FHC reuniu-se com a direção do PSOL em seu instituto, em São Paulo.

Segundo a ex-deputada Luciana Genro (PSOL), candidata presidencial derrotada em 2014, que participou do encontro, Fernando Henrique se comprometeu a falar com os 11 senadores do PSDB e com o relator da proposta no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), para fazer com que a medida passe a valer depois das eleições de 2018.

"Ele prometeu nos ajudar a aprovar uma emenda no Senado para fazer com que a medida não interfira nas próximas eleições", disse Luciana Genro, integrante do comando nacional do partido, depois da reunião que durou cerca de uma hora. Participaram também o presidente nacional do PSOL, Luiz Araujo, o deputado estadual Carlos Giannazi (SP) e outros dirigentes do partido.

Apesar das críticas contundentes do PSOL às duas gestões de FHC, Luciana disse que o encontro foi "muito bom" e que o ex-presidente foi "muito receptivo" e "prometeu ajudar".

De acordo com o texto já aprovado na Câmara e na comissão que analisa a reforma política no Senado, nas eleições de 2018 só poderão participar dos debates na televisão os candidatos de partidos que elegeram em 2014 bancada federal com no mínimo nove parlamentares - atualmente têm direito os postulantes de legendas com pelo menos um deputado federal. Além disso, a participação deverá ter apoio de pelo menos dois terços das demais candidaturas.

Com isso, 12 dos 28 partidos que têm deputados federais não poderão participar (42,8% do total), incluindo o PSOL e o PV.

O PSOL pediu ajuda para FHC não só para adiar o início da medida, mas também para reduzir de nove para cinco o número mínimo de deputados federais para ter direito a participar dos debates. Na eleição de 2014, a sigla elegeu uma bancada federal com cinco parlamentares. "Mas ele [FHC] demonstrou simpatia só sobre a proposta de a medida não valer para as próximas eleições", disse Luciana. "É mais democrático, para não mudar as regras no meio do jogo".

Hoje, o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) deve procurar os senadores do PSDB para tentar convencê-los a derrubar ou modificar a proposta. O partido vê a bancada tucana no Senado como o "fiel da balança".

Na votação na Câmara, o PSOL recebeu apoio do PT mas não conseguiu derrubar a proposta, patrocinada pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O PMDB deve votar contra a participação dos partidos pequenos em debates. Caso a proposta seja aprovada no Congresso, o PSOL deve pedir a intervenção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para pedir à presidente Dilma Rousseff que vete a medida.

O PSOL teme o impacto eleitoral da proibição de participar de debates na televisão. Na análise de Luciana, a medida irá "excluir" a legenda, porque o debate na televisão é o "único espaço onde os candidatos estão em uma situação igual, sem diferenças como o tempo de propaganda eleitoral ou recursos". "Tirar do debate é excluir a candidatura da disputa eleitoral".

Ao adiar para depois das eleições de 2018, Luciana disse que o partido poderá se preparar e mudar a estratégia eleitoral para tentar eleger uma bancada maior.

Integrantes do PSOL, como Luciana Genro, têm buscado uma aproximação com o ex-presidente tucano. Há poucos dias, a dirigente do partido reuniu-se com Fernando Henrique no instituto do tucano. Segundo Luciana, foi para gravar um depoimento para um documentário sobre a drogas.

Feliciano anuncia pré-candidatura à Prefeitura de SP

Fernando Taquari 

A pouco mais de um ano das eleições municipais, o PSC anunciou ontem, depois de reunião da Executiva Nacional, a pré-candidatura do pastor e deputado federal Marco Feliciano à Prefeitura de São Paulo. O partido aposta no sentimento anti-PT e na popularidade do parlamentar, eleito em 2014 com 398 mil votos - terceiro mais bem votado no Estado - para surpreender os adversários.

O pastor deve se reunir nos próximos dias com integrantes do PSC para definir as diretrizes. Ao Valor, antecipou que a campanha terá como mote o "resgate" das bases da família, "destruídas" na gestão do prefeito Fernando Haddad (PT). "Nosso partido entra na disputa para valer. Não estamos brincando. Queremos ganhar as eleições e eu estou preparado para uma campanha dura", afirmou.

Pastor da Assembleia de Deus, Feliciano disse que não teme ser rotulado como o candidato dos evangélicos, a despeito do mandato pautado por bandeiras religiosas, como a defesa do ensino do criacionismo nas escolas públicas e privadas do país. "O Estado é laico. Apenas 20% dos paulistanos são evangélicos. Tenho que pensar em todos. Não vou transformar a prefeitura na minha igreja. Agora, tenho meus princípios e não abro mão deles", ressaltou.

Integrante da bancada evangélica na Câmara, o pastor ganhou notoriedade nos últimos anos com declarações polêmicas contra homossexuais. Ao assumir em 2013 a presidência da Comissão de Direitos Humanos, conseguiu levar o projeto de "cura gay" para ser apreciado no plenário. Além disso, teve papel fundamental para suspender a resolução do CNJ que assegura que a união homoafetiva seja reconhecida em cartório.

Para Feliciano, Haddad representa um "poste eleito pelo ex-presidente Lula sem luz própria em tempos de apagão". O pré-candidato prometeu rever projetos do atual prefeito, como a redução do limite de velocidade nas marginais. Em outra frente, criticou a falta de incentivos fiscais para compra de bicicletas, apesar da ampliação das ciclovias e ciclofaixas. "É preciso também pensar mais em educação e saúde. Se eu conseguir desfazer metade do que o PT fez em seu desgoverno, ganharei uma estátua na capital paulista".

Com o anúncio, Feliciano se soma aos outros pré-candidatos, como os apresentadores de TV José Luiz Datena, que negocia sua filiação ao PP, Celso Russomanno (PRB-SP), o deputado federal mais bem votado pelo Estado no ano passado (1,5 milhão), e João Dória Jr., que disputará prévias no PSDB para viabilizar sua indicação. Isso sem contar Haddad, Marta Suplicy, em vias de se filiar ao PMDB, e outros tucanos cotados, como o vereador Andrea Matarazzo e os deputados federais Bruno Covas e Ricardo Trípoli.

Valor econômico, v. 16 , n. 3832, 01/09/2015. Política, p. A6