Título: Recessão nos EUA e na Europa
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Fonte: Correio Braziliense, 21/09/2011, Economia, p. 11
FMI reduz previsão de alta global para 4% em razão da incapacidade dos governos em resolver crises internas NotíciaGráfico
A recessão deve voltar a arrasar duas das maiores economias globais, arrastando o restante do mundo, no ano que vem, caso os governos dos Estados Unidos e dos países da Europa continuem incapazes de encontrar soluções eficazes para enfrentar suas crises internas. O alerta partiu ontem do Fundo Monetário Internacional (FMI), após a instituição ter detectado um aumento "drástico" da instabilidade financeira ¿ reflexo da insegurança de investidores sobre a escalada dos problemas em ambas as regiões. A piora detectada no horizonte dos dois gigantes levou o fundo a reduzir, ontem, as previsões para o crescimento econômico mundial, que não deve avançar mais de 4% neste ano e no próximo, depois de ter fechado 2010 com expansão de 5,1%.
A aposta anterior do FMI, publicada há seis meses, era de 4,3% e 4,5% para o crescimento global médio em 2011 e 2012. "A indecisão de (adotar) políticas exacerbou as incertezas e ampliou a extenuação financeira, contagiando a economia real", sentenciou a equipe de economistas da instituição, ao publicar o seu relatório de perspectivas econômicas.
Para os Estados Unidos, a previsão de avanço caiu de 2,5% para 1,5% em 2011 e de 2,7% para 1,8% no ano que vem. A redução foi justificada pela lenta recuperação do cenário norte-americano. Embora tenha encerrado 2010 com alta de 3%, a atividade nos EUA perdeu velocidade nos últimos meses, com uma queda de ritmo "mais forte do que o previsto" pelo FMI.
Entre os países do Grupo dos Sete (G7), os EUA foram os que sofreram o maior corte na previsão de crescimento, segundo a organização. Analistas estimam que, se os números se confirmarem, o avanço será insuficiente para reduzir a taxa de desemprego, que resiste em um patamar elevado e, em agosto, ficou em 9,1%.
No caso da Zona do Euro, o FMI reduziu a projeção de crescimento de 2,0% para1,6% e de 1,7% para 1,1% nos próximos períodos. "Se a crise da dívida nos países periféricos continuar se propagando nas economias das nações centrais da Europa (...), afundará a estabilidade financeira global", prevê o fundo.
Nem a China escapará de crescer menos, de acordo com a instituição. As projeções para o país foram encolhidas em 0,1 ponto percentual, para 9,5% em 2011, e, em 0,5 ponto percentual, para 9% em 2012. "O crescimento (da Ásia) continua forte, embora esteja moderando, com a demanda externa mais fraca", destacaram os economistas da instituição.
Itália critica decisão da S&P O governo italiano reagiu à decisão da agência de classificação de risco Standard and Poor"s de baixar a nota do país. Para as autoridades, a avaliação foi "falseada por considerações políticas". "As análises parecem estar ditadas mais pelos artigos dos jornais do que pela realidade", destacou comunicado emitido pela cúpula da gestão de Silvio Berlusconi. A instituição refutou a denúncia e reafirmou que a decisão foi tomada em consequência das frágeis perspectivas de crescimento, que devem dificultar a redução do deficit público e da dívida italiana.