O ritmo de expansão da carteira de crédito caiu fortemente no segundo trimestre deste ano na Caixa Econômica Federal e o nível de crescimento não está mais tão longe do registrado pelos demais Bancos. Em 12 meses, a carteira total da Caixa cresceu 17,4%. Há um ano, a instituição registrou crescimento de 28%. No primeiro trimestre do ano, a expansão também tinha sido superior a 20%.
Apesar da queda no ritmo da concessão de crédito, os ganhos com a alta de juros e com eficiência operacional ajudaram o banco a manter o lucro. No segundo trimestre, foi de R$ 1,9 bilhão – 3% mais do que no mesmo período do ano passado, de acordo com o balanço divulgado pelo banco ontem.
Sem a perspectiva de obter uma nova injeção de recursos do Tesouro até 2016, a Caixa vem freando a locomotiva de crédito para patamar inferior à metade da média dos últimos três anos. Em meio à crise financeira global de 2008 e à retração dos concorrentes privados na liberação de empréstimos, a Caixa ocupou espaço e chegou a crescer uma média de 40% por ano.
Esses resultados ficaram para trás e não devem se repetir, segundo o vice-presidente de Finanças e Controladoria da Caixa, Márcio Percival. Segundo ele, o banco revisou, para baixo, a projeção para o crescimento da carteira de crédito em 2015, para o intervalo entre 12% e 16%, mirando 14%. Ou seja,inferior ao registrado no segundo trimestre. A expectativa anterior era de crescer entre 14% e 18% na comparação com 2014.
Percival diz que a previsão da Caixa ainda é superior à dos concorrentes (com expansão de 9%) por causa da composição da carteira do banco estatal, cujo carro-chefe é o crédito habitacional, com 56% de participação. Nas outras carteiras, o crescimento da Caixa está em linha com o dos bancos privados. O crédito habitacional avançou 20,8% na comparação com o mesmo período do ano passado.
De acordo com Percival, a carteira de financiamentos imobiliários deve terminar o ano com crescimento em torno de 18%. Ele afirmou que é“absolutamente normal” perder participação no mercado, já que os outros Bancos passaram a mirar esse tipo de financiamento, com baixas taxas de inadimplência. Essa perda de espaço, garante, não se deve às restrições impostas pelo banco na concessão de novos financiamentos. “Os outros bancos também estão bastante restritivos”, disse Teotônio Rezende, diretor de Habitação.
Para o segundo semestre, a Caixa vai focar nas áreas tradicionais do banco. A expectativa é liberar entre R$ 41 bilhões e R$ 42 bilhões a mais em novo crédito para habitação. Para o consignado, vão ser R$ 16 bilhões.Projetos de infraestrutura, em meio à letargia provocada pela crise e pelos desdobramentos da Lava Jato, devem contratar R$ 17 bilhões. As microempresas terão R$ 44 bilhões em desembolsos na segunda metade do ano e as médias e grandes empresas, a metade desse valor.
A inadimplência fechou o semestre em 2,85%, acima dos 2,76% registrados no mesmo período de 2014, patamar recorde nos últimos cinco anos. Sazonalmente, na segunda metade do ano esses índices caem, mas Percival acredita que 2015 será mais difícil por causa do cenário macroeconômico. “Queremos continuar com as menores inadimplências do mercado.” As provisões para perdas com calote subiram 15,8% no último ano e já alcançam R$ 29,4 bilhões. “O crescimento das despesas está a linha do ao tamanho da nossa carteira”, disse Alexsandra Braga, vice-presidente de riscos do banco.
Crédito habitacional avançou 20,8% na comparação com o mesmo período de 2015. Expectativa é de que a carteira de financiamentos imobiliários termine o ano com crescimento de 18%.