Título: IOF adiado infla dólar
Autor: Cristino, Vânia
Fonte: Correio Braziliense, 17/09/2011, Economia, p. 16
Em meio um forte movimento de valorização do dólar em relação às principais moedas mundiais, por conta das incertezas da crise global, o governo brasileiro acabou dando um empurrão na alta da moeda norte-americana ontem. Com uma canetada, adiou de outubro para dezembro o prazo de cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre as apostas do mercado contra a moeda norte-americana. Parte dos operadores entendeu que fora criada mais uma amarra para que eles mantivessem suas apostas contra o real. Mas, mesmo com a prorrogação do prazo, a medida acabou incentivando uma mudança de estratégia. O dólar disparou 1,35% e fechou o dia cotado a R$ 1,732 ¿ a maior alta desde 23 de novembro de 2010, quando atingiu R$ 1,735.
Desde julho, quando o Ministério da Fazenda anunciou a cobrança do IOF, as apostas dos investidores estrangeiros contra o dólar caíram de US$ 22,7 bilhões para US$ 11,4 bilhões na Bolsa de Valores de São Paulo (BMF&Bovespa). Se o mercado mantiver esse volume, em janeiro vai pagar à Receita Federal 1% de imposto ou o equivalente a US$ 114 milhões. "Acreditamos que a medida contribuiu muito positivamente para diminuir a especulação", afirmou o secretário executivo adjunto do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira.
Alfredo Barbutti, economista da corretora BGC Liquidez, explicou que o decreto do IOF não é um documento novo. Apenas mostrou como irá funcionar a cobrança de imposto. "O objetivo é impor um ônus para o vendedor de dólar a descoberto. Isso vai inibir a disposição especulativa no mercado. Não houve mudanças, apenas ajustes", disse. O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, declarou que o governo se sente "confortável" com a recente desvalorização do real e manterá o combate contra os que quiserem especular contra a moeda brasileira. "Estamos bem confortáveis com a desvalorização atual do câmbio e focados em dissovler o interesse de "carry trade" (especulação estrangeira) na moeda brasileira", afirmou.
Exportadores são punidos O decreto que detalhou a cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para as apostas contra o dólar vai, por tabela, prejudicar os exportadores. Todos os que têm dólares vendidos a descoberto (sem ter a moeda para entregar) terão de pagar o tributo. Mas as empresas que vendem ao exterior se utilizam dessa prática como mecanismo de proteção ¿ para não perderem com a oscilação da moeda. Agora, o governo estuda criar um mecanismo de compensação para evitar uma punição.