Título: UE cobra esforços da Grécia
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Fonte: Correio Braziliense, 17/09/2011, Economia, p. 21
Líderes do bloco decidem em outubro a liberação de oito bilhões de euros a Atenas e alertam: austeridade precisa ser mantida
Os líderes da Eurozona aumentaram as pressões sobre a Grécia e anunciaram ontem que deixarão para outubro a decisão de liberar oito bilhões de euros para auxiliar no processo de recuperação das finanças do país. A quantia compõe a última parcela do pacote de 110 bilhões de euros aprovado no ano passado e depende, para ser chancelada, dos esforços do governo grego em continuar adotando as medidas de austeridade fiscal, acordadas com a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
De acordo com o chefe dos ministros econômicos do bloco, Jean-Claude Juncker, a manutenção do cronograma de ações é fundamental para o empréstimo. "O Eurogrupo reconhece o significativo trabalho realizado pelas autoridades da Grécia no último ano, mas o país deve continuar com a execução do programa. Isto é chave", comentou. Apesar do alerta, uma missão de inspetores da UE e do FMI adiou a visita a Atenas, prevista para ontem. O ministro grego das Finanças, Evangelos Venizelos, afirmou que o atraso ocorrerá em função de "problemas técnicos".
Os ministros de Finanças do bloco se reuniram em Wroclaw, na Polônia, onde discutiram formas de acelerar a viabilização de um segundo pacote de ajuda ao país mediterrâneo ¿ medida prevista no encontro da cúpula do bloco, realizado em 21 de julho. O novo conjunto de empréstimos chegará aos 160 bilhões de euros, 50 bilhões a mais do que o primeiro socorro. A rodada adicional também contará com a participação de instituições privadas e do fundo de resgate europeu. "Devemos solucionar nossos problemas dos dois lados do Atlântico, para dar maior estabilidade aos mercados", reforçou o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schauble, emitindo um claro recado ao secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, que participou das discussões.
Jornada O segundo plano aprovado para Atenas ainda deve ser ratificado pelos governos e parlamentos dos 17 países da Eurozona. Até o momento apenas França, Bélgica e Luxemburgo atenderam a medida. A ministra da Economia da Áustria, Maria Fekter, disse, ao desembarcar na Polônia, que seu país considera o calote grego como uma saída possível para a crise da dívida europeia, mas descartou a opção no momento. "Se ocorrer uma situação na qual este caminho for a melhor saída, devemos considerar esta alternativa. Mas esta não é a situação no momento", ponderou.
Endividamento A dívida pública da Espanha voltou a aumentar no segundo trimestre do ano e atingiu 65,2% do Produto Interno Bruto (PIB), oito pontos percentuais acima do registrado há um ano (57,2%), informou o Banco da Espanha. O nível da dívida espanhola está cinco pontos acima do limite fixado pelo Pacto de Estabilidade da União Europeia (60%), mas continua quase 20 pontos abaixo da média europeia (85,1% em 2010).