Título: Dois dias e US$ 5,3 bi
Autor: Cristino, Vânia; Martins, Victor
Fonte: Correio Braziliense, 09/09/2011, Economia, p. 9
A surpreendente queda da taxa básica de juros (Selic), de 12,50% para 12% ao ano, provocou uma corrida de investidores estrangeiros ao Brasil atrás de títulos públicos. A ordem foi comprar o máximo possível de papéis, sobretudo os corrigidos pela inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), para garantir um bom rendimento. Com isso, apenas nos dois primeiros dias úteis de setembro, a entrada de recursos no país alcançou US$ 5,3 bilhões, montante superior ao registrado em todo o mês de agosto, de US$ 4,1 bilhões.
"Todos querem garantir um ganho elevado agora, porque sabem que o Banco Central continuará cortando a Selic", disse o economista Eucherino Lerner Rodrigues, da Fundação Getulio Vargas (FGV). Os títulos do governo pagam juros entre 4,5% e 6% ao ano mais a inflação, o que não se consegue em nenhum outro país do mundo atualmente.
Segundo Demétrius Borel Lucindo, nem mesmo a perspectiva de alta de dólar afasta os estrangeiros, pois os juros são tão elevados que compensam a diferença de preços, na hora de se transformar os recursos em reais, e no momento de tirar o dinheiro do Brasil, quando se recompram os dólares.
Em agosto, o BC comprou US$ 4,8 bilhões para reforçar as reservas internacionais. Somente nos dois primeiros dias de setembro, foram mais US$ 73 milhões.