PMDB mantém discurso ambíguo sobre crise
Bertha Maakaroun
25/10/2015
Os principais líderes do PMDB assumiram ontem, mais uma vez, uma postura de espectadores da crise política e econômica, como se não integrassem o governo federal e vários de seus nomes, como o presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB), não contribuíssem para aprofundá-la. Depois de reiterar que o PMDB lançará em novembro "um programa escrito" para que "guie" e "reunifique" o país, o vice-presidente da República e presidente nacional do partido, Michel Temer, declarou, durante convenção estadual da legenda, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte, que o PMDB é fundamental na solução de crises porque representa o que chamou de "um certo equilíbrio e moderação". "O que nos falta é exatamente essa ideia de que temos de reunificar o país, temos de pacificar o país, temos de ter harmonia para o país. Temos de acabar com eventuais divergências entre brasileiros, temos de unir a todos, pois, entre o partido político, o governo e o país, o maior valor é o país. O PMDB está atento a isso", assinalou em seu discurso.
No mesmo tom, e enfatizando o que considerou a capacidade histórica do PMDB de trilhar o caminho que seria da "unidade", o presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Moreira Franco, afirmou que o PMDB jamais faltou ao país nos momentos difíceis. "Neste momento, nosso partido é obrigado, mais uma vez, a responder aos anseios, esperanças e inquietações do povo brasileiro. Vamos fazer 50 anos e nunca faltamos nos momentos difíceis. O PMDB sempre encontrou o caminho da unidade para definir a meta", disse.
Segundo Moreira Franco, o PMDB tem militância independente, que, em vários momentos, abre dissidência, critica. "O PMDB não tem dono, tem voz", destacou, acrescentando que, neste momento em que conquistas brasileiras estão sendo "ameaçadas", a legenda buscou junto à militância debater um plano para tirar o Brasil da crise, que será apresentado em 17 de novembro, em Brasília, durante o Congresso do partido. "Vamos aprovar o programa para tirar o Brasil da crise e apresentarmos à sociedade um caminho que faça o país crescer, gerar renda, garantir um ambiente de negócios. Vamos oferecer, como no passado, alternativas que nos levem ao crescimento", declarou o ex-ministro.
Liderança
Michel Temer chegou a Belo Horizonte ao lado de Moreira Franco para participar da convenção estadual do PMDB, que reconduziu para um mandato de mais dois anos o vice-governador Antônio Andrade (PMDB) ao comando da legenda no estado. Antes, ele havia participado, em São Paulo, da convenção estadual do PMDB, onde foi diversas vezes enaltecido como "o nome que vai conduzir a reunificação do país".
O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT) ressaltou, em seu discurso, a unidade do PMDB de Minas, construída a partir de 2013 por articulação pessoal com o apoio de Temer. E deu o recado: o PMDB, ao lado do PT, é governo em Minas. "Agora estamos governando juntos. O PMDB é governo com o nosso partido", disse o governador mineiro, afirmando esperar que o "exemplo" de Minas se reproduza no país. Pimentel disse contar com Temer, a quem considera "leal" e "grande companheiro" para levar a experiência mineira ao Brasil.
Correio braziliense, n. 19144 , 25/10/2015. Política, p. 4