Título: Lupi cai na real e reduz meta
Autor: D'Angelo, Ana
Fonte: Correio Braziliense, 10/09/2011, Economia, p. 14
A desaceleração da economia e a invasão de produtos importados no mercado brasileiro obrigaram o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, a recuar ontem e admitir que a economia não criará os três milhões de novos empregos previstos pelo governo para 2011. O ministro não divulgou um novo número, mas garantiu que os cálculos estão sendo revistos e uma previsão atualizada será divulgada na segunda-feira.
Lupi explicou que a frustração de estimativas se deve à redução no ritmo mensal de criação de outros postos. "A tendência é que esse ano não seja tão bom quanto a gente esperava. O número vai ficar um pouco menor do que os três milhões. Estamos fazendo os cálculos", afirmou. De acordo com o ministro, o setor que mais sofre é a indústria, em razão da disputa com os importados. O segmento também é um dos principais termômetros do dinamismo no mercado de trabalho.
Apesar da revisão para baixo na projeção do ano, Lupi espera que 200 mil vagas de emprego com carteira assinada sejam geradas em agosto, número que deverá ser confirmado pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Embora seja pior do que os 250 mil postos criados no mesmo mês de 2010, o valor é superior aos 140,5 mil de julho. "Estamos tendo um agosto melhor do que julho porque já começaram algumas contratações mirando o fim do ano, como nas indústrias de gênero alimentício, construção civil e no comércio. Mais ainda não temos o fôlego do ano passado", acrescentou.
Juros O ministro defendeu ainda a continuidade na redução da taxa básica de juros (Selic) como forma de estimular o investimento e ampliar as novas contratações. "Acho que seria importante para ajudar a aquecer a economia. Seria uma demonstração clara (do governo), apostando no consumo interno, e, ao mesmo tempo, protegendo a indústria nacional", destacou.