Título: Emprego recua 0,1%
Autor: D'Angelo, Ana
Fonte: Correio Braziliense, 10/09/2011, Economia, p. 14
A perda de ritmo de expansão na economia brasileira fez os empresários da indústria cortarem mais vagas em julho, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O emprego no segmento recuou 0,1% na comparação mensal ¿ mesmo percentual observado em junho. Entre os grupos econômicos, as fábricas são as mais afetadas pela crise internacional, sofrendo simultaneamente a concorrência dos produtos importados e a dificuldade de exportar os itens produzidos para os mercados tradicionais, como os Estados Unidos e a Europa.
Embora tenha se elevado 0,4% em relação ao mesmo mês de 2010, o crescimento do emprego nessa base foi o mais tímido desde fevereiro do ano passado.
Na comparação anual, 11 dos 18 setores pesquisados pelo IBGE contrataram trabalhadores. Os destaques foram os segmentos de meios de transporte e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações, ambos com elevação de 6,3%. A indústria alimentícia e de bebidas também teve alta de 3,5% nas vagas.
Horas remuneradas Apesar da queda no número de empregos, o volume de horas pagas aos trabalhadores na indústria avançou ligeiramente (0,1%) em julho, após recuar 0,6% em junho. O indicador é o mais próximo do ritmo de produção, uma vez que antes de demitir ou contratar, as empresas moderam os turnos para regular a fabricação.
O segmento automobilístico foi um dos que, recentemente, anunciou a paralisação da produção em função dos estoques elevados. O excedente está levando as montadoras a resistirem à pressão do governo por metas de desempenho, como contrapartida para novos incentivos à produção.
Em julho, a folha de pagamento dos funcionários também teve elevação de 0,1%, depois de registrar incremento de 0,3% em junho.
Ipea prevê uma década de avanço O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, afirmou ontem que o Brasil manterá a trajetória de expansão econômica durante toda a década. Segundo ele, o Estado selou um "pacto" com o crescimento de modo que o país passou a não aceitar mais, tendo em vista a conquista do eleitorado, "um voo de galinha" no avanço econômico. "O crescimento se manterá principalmente por causa do pacto político que foi construído e que vê na manutenção das taxas do PIB a possibilidade de expansão de todos, do lucro, do emprego, do salário e, como consequência, dos votos", disse. Para Pochmann o governo hoje oferece garantias à iniciativa privada para assegurar os investimentos. "Por meio de suas políticas, o governo diz ao empresário: "pode investir que eu garanto energia, mão de obra qualificada e crescimento do mercado interno", avaliou.