Título: G-7 patina na crise
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Fonte: Correio Braziliense, 10/09/2011, Economia, p. 18
Encontro de ministros de Finanças das sete maiores economias mostra divergências e oferece pouco para acalmar investidores
Marselha (França) ¿ Os ministros de Finanças do G-7 prometeram dar uma resposta coordenada à desaceleração na economia global, mas não deram detalhes e diferiram na ênfase sobre a crise de dívida na Europa. Os Estados Unidos pressionaram. Pediram às maiores economias do continente demonstrações de um "inequívoco" suporte financeiro às nações mais fracas da Zona do Euro, a fim de superar a crise de dívida desses países como Grécia, Portugal, Itália e Espanha e permitir a recupação da economia global. A Alemanha, contudo, maior economia da região, ressaltou que a prioridade é cortar deficits.
Os ministros de Finanças do G-7 e presidentes de bancos centrais não sinalizaram nenhuma mudança na política para tentar reavivar a fraca recuperação. "Há, agora, sinais claros de uma desaceleração do crescimento global. Estamos comprometidos com uma forte resposta coordenada a esses desafios", limitaram-se a dizer. Numa tentativa de traçar um plano de concilie austeridade e crescimento, as autoridades disseram que, devido à natureza ainda frágil da recuperação, será preciso percorrer o "difícil caminho de alcançar planos de ajuste fiscal", ao mesmo tempo em que se fará necessário dar suporte à atividade econômica dos países em situações bastante divergentes.
Diferença O breve comunicado não trouxe nada de novo. Aos olhos de uma fonte do governo alemão, o documento foi redigido apenas pela insistência da anfitriã França, para tentar acalmar os nervos do mercado. "Nós temos de abandonar a ideia de que há uma única solução para todos. Não é rigor (austeridade) versus crescimento", afirmou o ministro das Finanças francês, François Baroin. Sua fala foi reforçada pelo ministro britânico de Finanças, George Osborne, segundo o qual há um amplo apoio do G-7 ao programa de US$ 477 bilhões proposto pelo presidente Barack Obama.
Ainda assim, houve claramente uma diferença de tom entre o pedido do secretário de Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, por mais ajuda aos países europeus com elevada dívida e a ênfase dada pelo ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, sobre cortar elevados deficits. "Não acho que as pessoas estão esperando um grande acordo e certamente o G-7 parece não estar muito no caminho de uma ação concreta", disse o estrategista-chefe da Forex.Com, Brian Dolan, em Nova Jersey.