Mais dois motivos para o cidadão penar

João gabriel Amador 

28/10/2015

Hoje é Dia do Servidor Público. Mas, para os funcionários do GDF, o clima não é de comemoração. A queda de braço entre eles e o Buriti está cada dia mais acirrada, com manifestações e greves na capital. Ontem, duas categorias cruzaram os braços, e sindicatos entraram com ação de improbidade administrativa contra o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) e secretários. As mobilizações começaram por volta das 10h. Em frente à Câmara Legislativa, professores da rede pública realizaram assembleia e votaram pela continuidade da paralisação, considerada ilegal pela Justiça. Depois, seguiram para a Praça do Buriti, onde se juntaram às demais categorias para um ato unificado dos servidores. O trânsito no centro da cidade ficou parado por volta do meio-dia. 

Em carreata, cerca de 3 mil manifestantes, segundo a Polícia Militar, partiram das proximidades do Palácio em direção ao Tribunal de Justiça do DF. No caminho, o tom dos discursos feitos por representantes dos grevistas subiu. Em cima do carro de som, os líderes dos movimentos entoavam palavras de ordem pedindo a saída do governador. Parte da irritação dos sindicalistas tinha como motivo as recentes declarações do chefe do Executivo em favor da punição de greves. "Cortar o ponto é o mínimo que se espera de um tirano", revoltou-se Marli Rodrigues, presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde do DF (SindSaúde). Outro ponto comum às categorias que estavam nas ruas passa pelo atraso no pagamento de reajustes salariais, votados pelos distritais em 2012, e que deveriam ter as últimas parcelas implementadas este ano. 

Ao chegarem ao tribunal, os manifestantes entregaram um pedido de ação de improbidade administrativa contra o governador e quatro secretários: Leany Lemos, do Planejamento, Orçamento, Gestão Administrativa e Desburocratização; Fábio Gondim, da Saúde; Pedro Meneguetti, da Fazenda; e Júlio Gregório, da Educação. O documento, assinado por 11 sindicatos ligados a servidores públicos, requer a investigação dos membros do governo pelo não cumprimento de leis que garantiriam reajustes salariais a 32 categorias. O GDF informou, por meio da Assessoria de Imprensa, que se manifestará apenas quando o teor do pedido de improbidade for analisado. 

Novas paralisações 

Além do ato unificado, duas categorias aderiram à greve ontem. Pela manhã, quem procurou os postos do Departamento de Trânsito (Detran) encontrou as portas fechadas. Foi o caso do estudante de odontologia Breno Luiz Porto de Carvalho, 20 anos, que buscava a emissão do Documento Único de Transferência (DUT). "Precisava do documento para fazer a venda de uma moto. Agora, terei de esperar", contou o rapaz, que foi até a unidade da Feira Popular em vão. 

Os agentes do Detran decidiram pela greve na semana passada. Apesar de os reajustes salariais da categoria estarem previstos para novembro, os servidores também reivindicam melhores condições de trabalho. "Nós lutamos por melhorias, como mobiliário, cadeiras, ar-condicionado, coletes balísticos, treinamento, entre outros aparatos básicos para prestar o serviço para a sociedade", aponta o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Detran (Sindetran), Fábio Medeiros. Com a greve, vistorias, emissão de documentos e fiscalizações realizadas pelo órgão ficam suspensas. 

Usuários do transporte público também tiveram uma desagradável surpresa. Os funcionários do Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans) cruzaram os braços nas principais unidades: Rodoviária do Plano Piloto, Galeria dos Estados e Taguatinga. Com a paralisação, a emissão de cartões, recargas de passagens, atualizações de cadastros e demais serviços ficaram comprometidos nos postos. "Meu cartão deu problema e vim tentar uma segunda via. O dinheiro faz muita falta, mas o jeito será pagar os R$ 4", queixou-se o estudante Degir Miranda, 30, que saiu de Águas Claras a fim de resolver o problema na Galeria dos Estados. Além da exigência do pagamento dos reajustes, os funcionários do DFTrans pedem transparência e debates abertos sobre a possível dissolução do órgão. 

Correio braziliense, n. 19147 , 28/10/2015. Cidade, p. 21