ALAN GRIPP JEFERSON RIBEIRO
Em tom virulento, mensagem de Temer a Dilma marca ruptura entre eles e dá novos contornos à crise.
A carta-desabafo do vice Michel Temer à presidente Dilma fez a terra tremer na já tumultuada Praça dos Três Poderes. Num tom surpreendente para quem conhece o seu comportamento polido, Temer acusou Dilma de “não confiar nele e no PMDB”, de ter descumprido acordos políticos e de tê-lo transformado em um “vice decorativo”, entre outras queixas. Nas entrelinhas, a missiva virulenta quer dizer mais. Quando afirma estar certo de que Dilma não confia nele “hoje” e nem confiará “amanhã”, Temer, na prática, decreta o divórcio entre presidente e vice, embora tenha evitado a palavra “ruptura”. Mais: dá um recado ao seu partido de que não espera mais dele lealdade ao governo, o que pode se reverter em votos pró-impeachment no Congresso. Por outro lado, a carta pode ser vista como parte de uma empreitada pessoal, num partido historicamente fragmentado. Nesse cenário, especialmente se conjugado a eventuais vitórias governistas na batalha do impedimento, a iniciativa pode ter como resultado o enfraquecimento do vice, que voltaria a ser a figura “decorativa” de que tanto se queixa. Entenda abaixo o contexto das afirmações de Temer e as possíveis consequências.