Título: Mais difícil para as negras
Autor: Braga, Juliana; Mariz, Renata
Fonte: Correio Braziliense, 15/09/2011, Brasil, p. 14
O relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) também traz recorte atento às diferenças de gênero. As disparidades ganham força em ocupações e salários. De acordo com Rebeca Tavares, da ONU Mulher, as negras são as que mais exercem atividades sem carteira assinada e a diferença de salário entre elas e os homens brancos chega a 33% no país.
Além disso, mulheres negras têm menos acesso aos serviços básicos de saúde. Em relação às brancas com mais de 25 anos, 23% nunca fizeram um exame clínico de câncer de mama, também conhecido como exame de toque.
Entre as mulheres negras, esse índice é de 37,5%. A pesquisadora do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas (Laeser) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Irene Rossetto explica que a diferença não está relacionada à falta de informação.
"Se analisarmos o recorte por nível de instrução, 15,7% das pretas e pardas com a mesma faixa etária que cursaram nível superior nunca fizeram o exame, enquanto somente 8,3% das brancas com nível superior não tiveram acesso a ele", detalha.
As diferenças atingem até o índice de mortalidade materna. Com relação às brancas, a taxa é de 40,4 óbitos a cada 100 mil; entre as negras o número sobe para 67,2. Para Rebeca Tavares, o problema começa nas profissões exercidas. "São elas (as negras) a maior parte das trabalhadoras domésticas e informais. Sem ter carteira assinada, não têm acesso à Previdência", avalia.
O valor dos benefícios pagos pela Previdência Social ilustram a situação. Enquanto o valor médio repassado a mulheres negras e pardas é de R$ 562,64, para homens brancos é R$ 1.187,17, mais do que o dobro. A diferença, se levadas em conta as brancas, também é grande, mas menor. Nesse caso, a média é de R$ 832,02. (JB)