Título: Socorro é aceitável
Autor: Lyra, Paulo de Tarso
Fonte: Correio Braziliense, 15/09/2011, Economia, p. 20

Embora o Brasil esteja disposto, ao lado de Rússia, Índia, China e África do Sul ¿ os chamados Brics ¿, a oferecer socorro aos países europeus altamente endividados, a solução da crise internacional dependerá muito mais do esforço das próprias economias em crise, alertou ontem a presidente Dilma Rousseff. "O Brasil estará sempre disposto a participar de qualquer esforço internacional", disse.

A notícia foi bem recebida pela diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde. Mas a dirigente pediu que, se de fato ocorrer, que a ajuda seja sem restrições.

Em uma entrevista publicada pelo jornal italiano La Stampa, a dirigente do FMI disse que a decisão de investir na Europa não é da competência do Fundo, por isso, não há desacordo. "Para nós, é uma hipótese aceitável. Minha esperança é que, se decidirem intervir nesse setor, tenham objetivos mais amplos e não se limitem a adquirir títulos de Estado seguros", acrescentou. A ajuda internacional dos emergentes chegaria a US$ 464 bilhões, conforme projeções da agência de classificação de risco Austin Rating.

As potências emergentes que integram o Brics debaterão na próxima semana em Washington uma eventual ajuda à Europa, afetada pela crise da dívida soberana. "Os Brics se reunirão na próxima semana em Washington e vamos discutir como fazer para ajudar a União Europeia a sair dessa situação", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega.