Título: Teste de confiança
Autor: Lyra, Paulo de Tarso
Fonte: Correio Braziliense, 15/09/2011, Economia, p. 20

Apesar da gravidade da atual crise internacional, o Tesouro Nacional poderá fazer nova emissão de títulos do governo brasileiro no exterior nas próximas semanas. É um teste para a credibilidade do país. O secretário do Tesouro, Arno Augustin, admitiu que o quadro lá fora está muito complicado ¿ os Estados Unidos e a Europa estão à beira da recessão ¿, mas ressaltou que o fato de o Brasil estar em melhor situação, ou seja, com as contas públicas em dia, inflação sob controle e com taxa de crescimento próxima de 4%, atrairá a atenção dos investidores. "A emissão poderá ocorrer nas próximas semanas. Os extraordinários fundamentos do Brasil viabilizam as vendas de títulos", afirmou.

Na avaliação de Augustin, a tendência é de que as taxas de juros pagas no mercado internacional devem ficar em níveis inferiores aos pagos pelo país nas mais recentes emissões. "As emissões poderão ser tanto em reais quanto em dólar. Sempre analisamos as condições do mercado. Não podemos ignorar que o cenário está bastante volátil, mas é possível que a gente tenha condições de pagar menos, porque os fundamentos do Brasil estão muito bons, com reservas internacionais de US$ 352 bilhões", ressaltou.

O Tesouro, por sinal, já está pagando juros menores nas vendas de papéis dentro do país, beneficiando-se da decisão do Banco Central de reduzir, há duas semanas, a taxa básica de juros (Selic) de 12,50% para 12% ao ano. As Notas do Tesouro Nacional série B (NTNs-B), atualizadas pela inflação, saíram com custos fixos inferiores a 6% ao ano, o que não se via há meses. Augustin disse ainda que não vê qualquer problema no fato de o dólar estar subindo, rompendo a casa de R$ 1,70. "Está em linha com o que o governo considera adequado", frisou.