-BRASÍLIA- Quase nove meses após o incidente diplomático entre Brasil e Indonésia por conta da decisão daquele país de executar dois brasileiros condenados à morte, a presidente Dilma Rousseff recebeu ontem as credenciais do embaixador indonéscio, Toto Riyanto. Condenados por tráfico de drogas, os brasileiros foram fuzilados apesar do pedido de clemência da presidente. O encontro entre os dois foi protocolar e breve, durando apenas um minuto. Ambos sorriram e trocaram apertos de mão.
O ato aconteceu durante a cerimônia de entrega de cartas credenciais no Palácio do Planalto, na qual o indonésio e outros 21 embaixadores foram recebidos por Dilma. A outros diplomatas, a presidente concedeu mais tempo.
Toto Riyanto já havia tentado entregar suas credenciais a Dilma em fevereiro, em outra cerimônia como a de hoje. Naquela ocasião, ele chegou a ir ao Palácio do Planalto vestido com roupas típicas de seu país, como é o protocolo, e aguardou o início da solenidade. Mas foi informado por um interlocutor da presidente de que ela não o receberia. O diplomata informou o chanceler indonésio sobre o ocorrido e foi chamado de volta para a Indonésia — reação que indica a existência de grave problema na relação entre os dois países.
Dilma chegou para a cerimônia de hoje aparentando cansaço, com as costas bastante curvadas e o cenho fechado. Ao longo dos cumprimentos, no entanto, foi ficando com a aparência mais leve e sorridente.
Em janeiro, o brasileiro Marco Archer foi fuzilado por tráfico drogas na Indonésia. Três meses depois, em abril, foi a vez de outro brasileiro, Rodrigo Gularte, ser executado após condenação pelo mesmo crime. Junto com Gularte, sete outros condenados por tráfico presos no país foram fuzilados.