Título: Dilma dinamite vende o Brasil nos EUA
Autor: Rothenburg, Denise
Fonte: Correio Braziliense, 19/09/2011, Política, p. 2
Presidente inicia hoje em Nova York uma maratona diplomática para apresentar programas brasileiros considerados vitoriosos e confirmar que o país está aberto a investimentos
Nova York ¿ Os diplomatas brasileiros são unânimes em se referir à série de eventos da presidente Dilma Rousseff como a viagem internacional mais importante deste primeiro ano de governo, quando se terá a chance de apresentar um país diferente ao mundo. "É, sem dúvida, um momento histórico", comentou o ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, que acompanhará toda a programação. Ele se referia em especial ao fato de Dilma, capa da revista Newsweek desta semana, ser a primeira mulher a abrir uma Assembleia Geral das Nações Unidas. E também ao conteúdo geral do que será abordado. "Somos um em 200, mas pode ter certeza de que o reforço ao reconhecimento da Palestina e à criação do Estado na abertura da Assembleia Geral, durante o discurso da presidente, será de extrema importância", comentou o assessor especial da área internacional, Marco Aurélio Garcia.
Palestina à parte, muitos consideram que será a hora de o Brasil vender seus programas e oportunidades de investimentos. Será o momento de dizer aos representantes de 193 países que o Brasil foi o primeiro a sair da crise de 2008 e continua com sua economia em dia, apesar da nova onda de dificuldades, especialmente na Europa. "O país vive um momento de muita respeitabilidade. Portanto, o que ela disser terá muita atenção, peso e respeito", afirmou Patriota, que, no voo de Brasília até Nova York repassou parte da leva de discursos que Dilma fará a partir de hoje até o fim desta semana ¿ uma maratona de 20 eventos, incluindo sete reuniões bilaterais com presidentes de outros países.
A economia brasileira e a ascensão de 40 milhões de brasileiros à classe média serão repisadas a cada discurso. A programação de Dilma e da equipe foi montada de forma a se complementar. Hoje, por exemplo, enquanto Dilma estiver na ONU, participando da reunião de Alto Nível sobre Controle de Doenças Não Transmissíveis (CDNT) e promovendo a saúde brasileira, o ministro do Esporte, Orlando Silva, fará uma série de entrevistas para a imprensa internacional. O objetivo é vender a ideia de que o país está preparado para sediar a Copa das Confederações, a Copa do Mundo e as Olimpíadas.
No dia seguinte, enquanto Dilma tratará com o presidente dos Estados Unidos sobre a necessidade de ampliação dos fóruns econômicos mundiais, o mesmo ministro estará num seminário Brasil.Inc 2011, um evento do Meio&mensagem com as principais agências de marketing do mundo. "Vamos mostrar que esses megaeventos esportivos podem representar e ajudar a vender uma imagem positiva do Brasil", comentou Orlando Silva.
Na revista Embora a ministra da Secretaria Especial para Mulheres, Iriny Lopes, esteja fora da comitiva porque quebrou a perna, Dilma aproveitará outro evento hoje, "A participação política das mulheres", para mostrar que seu governo é movido por elas. Com a presidente, estarão as ministras da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Helena Chagas, e a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que já estava em Nova York quando Dilma chegou. Izabella participa da série de reuniões preparatórias da Conferência Rio+20, que a ONU realizará no Brasil em junho do próximo ano.
No quesito "mulher no poder", os leitores da Newsweek, que chega hoje às bancas, terão a oportunidade de conhecer um pouco mais da presidente brasileira. A revista foi a única publicação estrangeira com a qual Dilma decidiu falar na semana que antecedeu a viagem aos EUA. O título da reportagem Dynamite Dilma e o intertítulo das páginas internas Don"t mess with Dilma (Não mexa com Dilma) foram postos à prova ontem pelo serviço secreto, que tentou evitar o passeio da presidente ao Museu Metropolitan, sem um esquema mais reforçado de segurança. Ela, entretanto, bateu o pé e foi passear.
Internação em Brasília A mãe da presidente Dilma Rousseff, dona Dilma Jane, 88 anos, teve melhora em seu estado de saúde, mas vai continuar internada por tempo indeterminado no Hospital das Forças Armadas (HFA), em Brasília. Segundo o médico do Palácio do Planalto, Cléber de Araújo Ferreira, ela apresentava problemas de embolia pulmonar quando deu entrada no HFA, na quinta-feira. No sábado, a presidente esteve no local visitando a mãe antes de viajar para Nova York, onde abre a Assembleia Geral da ONU hoje. O médico informou que D. Dilma Jane está sendo medicada e a "melhora de seu estado clínico é excelente".