Título: Investimento perde fôlego
Autor: Cristino, Vânia
Fonte: Correio Braziliense, 24/09/2011, Economia, p. 15

O fluxo de investimento estrangeiro direto (IED) para o país deve cair nos próximos meses. A redução, por conta da crise internacional, foi incorporada à nova projeção do Banco Central para 2011. Mas, mesmo assim, o ingresso desse tipo de capital, considerado de primeira linha, subiu de US$ 55 bilhões para US$ 60 bilhões. É que, no acumulado de 12 meses, bateu em US$ 75,6 bilhões em agosto. Para ficar no patamar previsto até dezembro, deve desacelerar ¿ resultados mensais mais robustos darão lugar a outros mais fracos.

Para setembro, por exemplo, a previsão é de que o ingresso de investimentos diretos fique em US$ 5 bilhões, abaixo, portanto, do resultado obtido em agosto, de US$ 5,6 bilhões ¿ o melhor da série para o mês desde 2004, quando o saldo superou US$ 6,8 bilhões. O IED acumulado em setembro, até o dia 23, já alcança US$ 4,4 bilhões. No ano, são US$ 44 bilhões. O investimento direto dá mais segurança ao balanço de pagamentos do pais ¿ como é um dinheiro de longo prazo, não é sacado de uma hora para outra em tempos de crise.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, observou que a redução das apostas no setor produtivo está no contexto da crise financeira internacional. Passado o estresse, acredita Maciel, voltarão a prevalecer as condições da economia brasileira e a confiança dos investidores no país.

As cifras do IED não foram a única revisão feita para as contas externas em 2011. Entre os itens importantes do balanço de pagamentos, que reúne todas as operações do Brasil com o exterior, está a previsão de queda do deficit de transações correntes de US$ 60 bilhões para US$ 54 bilhões. Para Maciel, a melhora será um reflexo do desempenho da balança comercial, cujo saldo deve subir de US$ 20 bilhões para US$ 29 bilhões. (VC)