Título: Bancos europeus no limite
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Fonte: Correio Braziliense, 24/09/2011, Economia, p. 18

BCE admite que sistema financeiro da Zona do Euro vive situação de risco pior que a experimentada pelos EUA após quebra do Lehman Brothers

Washington ¿ Se ainda faltavam sinais mais fortes de uma crise no sistema financeiro europeu, eles foram dados ontem pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet. O chefe da autoridade monetária da Zona do Euro admitiu fortes riscos à estabilidade dos bancos. Disse que essas ameaças têm crescido consideravelmente e pediu aos governos da região que tomem uma ação decisiva para conter os problemas atuais. Trichet afirmou ainda que a crise do Velho Continente é pior que o abalo sofrido pelos Estados Unidos a partir da quebra do Banco Lehman Brothers, em 2008.

"Nos últimos meses, o estresse soberano moveu-se de economias menores para alguns países maiores da UE", declarou Trichet. "Os riscos à estabilidade do sistema financeiro da UE têm aumentado consideravelmente", afirmou. Para ele, os sinais de piora do sistema financeiro são evidentes em muitos mercados de bônus de governos europeus, enquanto a elevada volatilidade no mercado de ações indica que as tensões têm se espalhado nos mercados globais.

G-20 reage O BCE voltou a operar no "modo crise" nos últimos meses, na medida em que os problemas da crise de dívida soberana na Zona do Euro aumentaram e ameaçaram engolir a Itália e a Espanha. Por conta das tensões no mercado interbancário, o BCE se viu obrigado a reintroduzir medidas de apoio a bancos, anteriormente retiradas, como empréstimos em dólar de três e seis meses, enquanto investidores estão apostando que o banco terá de cortar o juro básico em 0,5 ponto percentual na próxima reunião de política monetária e voltar a oferecer liquidez de 12 meses.

Em uma resposta às cobranças, os ministros de Finanças do G-20, o grupo das 19 maiores economias mundiais e União Europeia, prometeram uma resposta "forte e coordenada" à crise, sem, com isso, afastar seus países do esforço do crescimento sustentado. Reunidos em Washington até quinta-feira, eles prometeram apoiar as instituições financeiras, garantindo que os bancos tenham "o capital adequado" para continuarem operando. "Estamos tomando ações fortes para manter a estabilidade financeira, restaurar a confiança e apoiar o crescimento", anunciaram.

Os ministros se comprometeram a colocar os bancos centrais em atenção máxima ao riscos sobre sistema financeiro. "Vamos garantir que os bancos estejam adequadamente capitalizados e tenham suficiente acesso ao financiamento para enfrentar os atuais riscos e para implementar completamente regras de segurança", disseram, em comunicado.

Epicentro O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, reconheceu que a Zona do Euro está no epicentro de uma crise de dívida soberana muito mais ampla do que se anunciou. Trichet acrescentou que a situação atual é mais incerta do que quando o banco norte-americano Lehman Brothers quebrou, já que não há mais a crença de que países importantes não declararão o calote das dívidas.

Taxação do CO2 e combustíveis O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (Bird) recomendaram aos países industrializados e emergentes do G-20 que criem um imposto sobre as emissões de CO2 e os combustíveis para os transportes marítimo e aéreo. Os dois organismos sugeriram o preço de US$ 25 por tonelada de CO2 em países ocidentais, União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia. Recomendaram ainda a taxação, da mesma forma, da tonelada de CO2 emitida por combustíveis usados nos transportes marítimo e aéreo, o que permitiria uma arrecadação de cerca de US$ 40 bilhões por ano até 2020.