Título: Palestinos lutam pelo último voto
Autor: Craveiro, Rodrigo
Fonte: Correio Braziliense, 30/09/2011, Mundo, p. 17
Chanceler diz ter o apoio de oito membros do Conselho de Segurança para adesão plena » Nos bastidores do Conselho de Segurança (CS), os palestinos já contabilizam oito votos em favor de sua adesão plena à ONU. De acordo com o chanceler Riyad Al-Malki, os governos do Líbano, da Rússia, da África do Sul e dos Brics ¿ grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China ¿ prometeram avalizar a demanda apresentada pelo presidente Mahmud Abbas à Assembleia Geral das Nações Unidas, na última sexta-feira. Ontem, Nigéria e Gabão teriam revelado a Al-Malki a intenção de apoiar a causa. "Estamos trabalhando junto a Bósnia, Colômbia e Portugal", acrescentou, em entrevista ao jornal britânico The Telegraph. Além de visitarem as três nações, as lideranças palestinas incluíram Honduras e República Dominicana em seu roteiro diplomático. Caso obtenham a aprovação de nove dos 15 países-membros do CS, os palestinos obrigariam os EUA a utilizarem o poder de veto, impedindo o reconhecimento do Estado palestino. Al-Malki aposta que Colômbia e Bósnia estão mais propensas a votar a favor. O Conselho de Adesão se reunirá às 10h de hoje (11h em Brasília) para iniciar as discussões sobre a demanda.
Diretora do Free Gaza Movement e cofundadora do Movimento de Solidariedade Internacional, a palestina Huwaida Arraf acredita que Obama não deseja entrar para a história como o presidente que impediu a criação do Estado palestino. "Com veto ou sem veto, a hipocrisia dos EUA e sua falta de liderança moral sobre a questão da Palestina são vergonhosas", disse ao Correio. Ela acredita que a Casa Branca pressionará Abbas a desistir da demanda e a reatar as negociações com Israel. "Abbas não tem que esperar pelo Conselho de Segurança para exigir que a Palestina seja reconhecida como um Estado observador e não membro", defendeu a ativista, que coordenou a flotilha humanitária Liberdade ¿ em 31 de maio, forças israelenses invadiram um dos navios e mataram oito turcos e um norte-americano.
A campanha palestina ganhou ontem o aval do Parlamento Europeu, que aprovou uma resolução na qual considera "legítimo o direito do povo a criar um Estado independente". O embaixador de Israel na ONU, Ron Prosor, voltou a criticar a aspiração palestina. "Um Estado palestino, real e viável, não será alcançado pela imposição, mas somente por negociações diretas. Não existem atalhos", advertiu.