O globo, n. 30125, 29/01/2016. País, p. 5

Médico da Rio- 2016 descarta ameaça de zika nas Olimpíadas

ROBERTO MALTCHIK roberto.maltchik@oglobo.com.b

 

A partir da análise detalhada da série histórica de infestação pelo Aedes aegypti, a organização da Rio- 2016 confia que o surto de zika não ameaça os Jogos Olímpicos, marcados para ocorrer entre 5 e 21 de agosto. De acordo com o médicochefe do Comitê Organizador, João Grangeiro, os dados revelam que a incidência do mosquito entra em declínio em meados de abril, praticamente zerando a partir de junho, no começo da estação seca.

As mesmas informações já foram entregues ao Comitê Olímpico Internacional ( COI), que decidiu emitir um comunicado global para alertar sobre as formas de prevenção e os principais sintomas da doença. Ontem, o presidente do COI, Thomas Bach, ao anunciar a divulgação da cartilha entre todos os comitês nacionais, afirmou que obtém relatos das autoridades competentes para compreender a real dimensão do problema e os riscos do vírus zika para a Rio- 2016.

— Estamos em contato com a Organização Mundial da Saúde ( OMS), com o comitê organizador e com as autoridades brasileiras. ( Os comitês) poderão informar a seus atletas ( sobre as medidas de prevenção) para demonstrar que faremos todo o possível para salvaguardar a saúde dos atletas e de todos os visitantes — afirmou Bach, em entrevista na Grécia.

Já o médico do Comitê Organizador diz que o tema precisa ser tratado com o máximo de seriedade, porém, considera que os dados da série histórica de infestação no Rio de Janeiro são seguros, inclusive considerando a incidência do fenômeno climático El Niño, que altera o ciclo regular de chuva e de calor.

— O El Niño já se apresenta há alguns anos. Não existe, mesmo com o El Niño, uma mudança na série histórica acompanhada pela Secretaria de Vigilância Epidemiológica. Em relação às séries históricas do Aedes aegypti, a gente tem uma proliferação grande durante o verão, sobretudo nos meses mais chuvosos. Mas, a partir de meados de abril, a gente tem um declínio. Em junho, não há expectativa de nenhuma doença transmitida pelo Aedes aegypti. Então, quando você analisa a série histórica, e autoridades de saúde pública fazem isso com muita propriedade e há alguns anos, isso nos dá tranquilidade para afirmar que não estamos ameaçados pelo Aedes aegypti durante os Jogos Olímpicos — disse Grangeiro.

USO DE FUMACÊ NOS JOGOS É ESTUDADO A organização dos Jogos já anunciou uma série de medidas para o combate aos focos de criadouros do mosquito em todas as instalações olímpicas, com a eliminação dos pontos de água parada. O uso do fumacê poderá ser repetido durante os Jogos, caso ocorra alguma recomendação de saúde para seu uso. Grangeiro reconheceu que, se necessário, atletas, árbitros e delegações poderão receber repelentes para se prevenir de picadas.

— Se a gente entender mais lá na frente que essa é uma medida que procede, sem dúvida alguma isso será realizado. A lição que estamos tirando é importância da transparência das informações para ter a leitura correta dos números. O grande problema não é o zika. O grande problema é o vetor, o Aedes aegypti. O mais importante é ter tranquilidade e lidar bem com as informações. O mais importante é a mensagem para que as pessoas venham aos Jogos.

Segundo Grangeiro, o fumacê “absolutamente” não representa nenhum problema para o desempenho ou condição dos atletas, caso seja necessário.

— O mais importante de tudo, no entanto, é informar bem as pessoas. As pessoas precisam saber que a existência de um possível criadouro deve ser informada imediatamente.