Título: Prática recorrente
Autor: Correia, Karla
Fonte: Correio Braziliense, 01/10/2011, Política, p. 6
A prática de trancar as portas do plenário a sessões ordinárias é estratégia comum, mas andava um tanto esquecida desde a legislatura passada. Durante o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2001), o expediente foi utilizado pela oposição, na época comandada pelo PT, para barrar as prorrogações da CPMF e da DRU.
De posse do Planalto, os tucanos chegaram a elaborar uma escala de presença de parlamentares da base governista para garantir a abertura das sessões às sextas e às segundas-feiras, dias em que a prática era recorrente. Os escolhidos não podiam deixar Brasília. Durante a gestão Lula (2002-2010), a manobra atendeu tanto a gregos, quanto a troianos.
No episódio do mensalão, eram os petistas que obstruíam as votações para ampliar os prazos de defesa. Quando a CPMF voltou à baila tucanos, forçavam o cancelamento das sessões, para que o projeto de lei que renovava o tributo não fosse aprovado. Assim que a matéria passou na Câmara, os papéis se inverteram. A oposição passou a querer votar todas as medidas provisórias na pauta, para travar a pauta no Senado ¿ e impedir que a CPMF fosse aprovada. O governo, por sua vez, cancelou todas as sessões possíveis.
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