Título: Lula critica o G-20
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Fonte: Correio Braziliense, 01/10/2011, Economia, p. 16

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem o papel desempenhado pelo G-20 no combate à crise econômica, ao afirmar que o grupo não impediu, como prometido, a volta das turbulências globais. Em um seminário em Londres, o político pregou a formulação de uma nova "governança global" para resolver o agravamento do cenário externo. "Não dá para os países tomaram decisões unilateralmente", afirmou.

Na avaliação de Lula, o G-8 perdeu importância com a ascensão de novos atores na economia mundial, mas o G-20 não cumpriu as promessas feitas em 2009 de democratizar o grupo, regular o sistema financeiro e acabar com os paraísos fiscais. "Para os Estados Unidos e a Europa, a crise parecia resolvida, mas não estava. Nas reuniões do G-20, parece que não existe problema. Só percebemos que algo está errado pela imprensa", completou.

Tributação Lula defendeu a elevação dos impostos para os mais ricos nos Estados Unidos, na França e na Espanha, mas ressaltou que a crise não decorre da falta de recursos, mas da ausência de responsabilidade.

O ex-presidente recomendou decisões políticas, em vez de econômicas, para encarar as turbulências, causadas principalmente pelo estouro da dívida pública dos países europeus. Para ele, o sistema financeiro "não pode achar que é dono do mundo", e o mercado "não tem solução para todos os problemas". Em relação à Grécia, Lula disse que pelo tamanho pequeno, o país mediterrâneo não deveria causar tantos problemas.

"Quanto custou para criar a União Europeia e quanto vai custar para destruí-la?", questionou. Para ele, a construção da UE é um "patrimônio da humanidade" e não se pode abrir mão do bloco.