Título: Protesto mundial
Autor:
Fonte: Correio Braziliense, 08/10/2011, Economia, p. 13

Madri ¿ Os "indignados" espanhóis, os primeiros a lançar, em maio, um movimento popular de protesto contra os sacrifícios impostos à população por conta da crise econômica, querem transformar as manifestações, que já estão crescendo também nos Estados Unidos, numa mobilização mundial em 15 de outubro.

Sob o nome United for global change (unidos por uma mudança global), um site na internet apresenta um mapa das mais de 400 mobilizações previstas em pelo menos 45 países. Da Tanzânia ao Havaí, passando pelo movimento que já agita Nova York e outras grandes cidades dos Estados Unidos, os pontos vermelhos no mapa assinalam os lugares onde devem ocorrer os protestos. "Estamos contentes com a visibilidade do movimento em Nova York", declarou Jon Aguirre Such, porta-voz da plataforma espanhola "Democracia Real Já!".

O movimento cresce na proporção em que aumentam as dificuldades vividas pelas populações dos países afetados pela crise de endividamento, Na própria Espanha, uma das economias mais fragilizadas da Zona do Euro, o número de despejos alcançou um novo recorde no segundo trimestre, com alta de 21,2% em relação ao mesmo período de 2010, quando as ordens já haviam chegado a níveis sem precedentes, segundo as autoridades judiciais.

Desde o início do ano, foram emitidas mais de 30.000 ordens de despejo, quase o mesmo número verificado em todo o ano de 2009. Segundo os analistas, o total de ações desse tipo pode superar, em 2011, o recorde de 47.089 alcançado em 2010. Ao lado do desemprego, que supera 21% da população economicamente ativa, o despejo de proprietários superendividados é um dos problemas que mais mobiliza os "indignados", pois simboliza de maneira direta a crise originada com a bolha imobiliária de 2008. Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas, a taxa de desemprego na Espanha é a maior da União Europeia e a mais alta entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento econômico (OCDE).