Título: Europa não se entende sobre ajuda a bancos
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Fonte: Correio Braziliense, 08/10/2011, Economia, p. 13
Opiniões conflitantes de França e Alemanha sobre sistema financeiro causam apreensão
Berlim ¿ No momento em que a Alemanha e a França buscam uma forma de socorrer os bancos europeus, eles voltaram a ficar sob o fogo cruzado das discussões sobre a dívida pública dos países da região. A degradação da nota de várias instituições portuguesas e britânicas pela agência de classificação de risco Moody"s não fez mais que mostrar, na opinião de analistas, a urgência de uma atuação firme das autoridades a fim de evitar uma crise generalizada do setor bancário. Contudo, há fortes divergências entre os dirigentes sobre como salvar o sistema financeiro do bloco.
A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, vão se reunir no domingo para resolver as diferenças quanto ao procedimento de recapitalização que deve ser adotado. "Berlim quer que cada Estado nacional seja responsável por injetar capital nos bancos, enquanto Paris quer uma intervenção coordenada por meio do fundo de resgate europeu", afirmou uma fonte europeia. A França teme que, ao intervir em seus bancos, aumente sua dívida e, por isso, tenha sua nota soberana "AAA" rebaixada, a exemplo dos Estados Unidos e vizinhos da Zona do Euro.
Contudo, apesar do vaivém das negociações, Sarkozy trabalhou para colocar panos quentes sobre as discordâncias. "Não há nenhuma divergência franco-alemã", assegurou o ministério francês de Finanças. Até que a situação se resolva, as discussões na Europa prometem emoções fortes. Merkel disse que há uma ordem a ser seguida: os bancos devem primeiro tentar encontrar capital por si só, antes de se dirigirem aos cofres públicos. Para ela, o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef) só poderá ser utilizado caso o Estado não seja capaz de financiar as instituições.
Estados Unidos Enquanto as discussões patinam, a dívidas soberanas perdem foco. "Neste momento, a Grécia não é mais o problema. O problema são os bancos", confessou um diplomata europeu. Ele confirmou o objetivo de alcançar um "consenso" sobre o socorro e um calendário na reunião de dirigentes dos países da União Europeia e da Zona do Euro em 17 e 18 de outubro, em Bruxelas. Outro assunto que gera divergências é o montante necessário para a recapitalização. Uma fonte ligada ao processo estima que o número se aproxime de 100 bilhões de euros.
Apesar do alarido que causaram na quinta-feira, as medidas de apoio excepcionais anunciadas pelo Banco Central Europeu (BCE) não tiveram um efeito milagroso. Dados da instituição mostraram que os depósitos noturnos dos bancos no BCE entre quinta-feira e sexta-feira alcançaram novo recorde anual, sinal de que a desconfiança prossegue. Para que o crédito e, consequentemente, a economia funcionem bem, os bancos devem emprestar dinheiro e obter remuneração entre si, no lugar de depositá-lo no BCE, o último recurso.
A propagação da crise da dívida na economia real é um cenário temido principalmente pelos Estados Unidos, que não param de exigir medidas mais contundentes por parte dos europeus. Os bancos norte-americanos possuem cerca de 480 bilhões de euros em títulos públicos da Grécia, da Espanha, da Irlanda e de Portugal.
Bélgica quer Dexia estatal O governo da Bélgica quer tomar o controle das operações belgas do banco Dexia tão logo seja concluída a divisão do grupo, informaram representantes de sindicatos após reunião com o premiê do país. "O governo quer dar novas garantias e se tornar o dono da instituição e das atividades relacionadas ao banco. O primeiro-ministro confirmou que está disposto a oferecer a funcionários garantia de emprego de longo prazo", divulgaram os sindicalistas. No início da semana, Bélgica e França se comprometeram em garantir um financiamento para o Dexia, diante da forte desvalorização de suas ações em razão dos títulos podres da dívida pública grega em sua carteira.
-------------------------------------------------------------------------------- adicionada no sistema em: 08/10/2011 02:34