Valor econômico, v. 16, n. 3960, 10/03/2016. Política, p. A9

Pedido de cassação de Delcídio avança no Senado

Bruno Peres

O senador Telmário Mota (PDT-RR) pediu ontem a admissibilidade da representação contra o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) no Conselho de Ética. O processo deve levar o parlamentar a ser cassado e Telmário afirmou que existe elementos para que o petista perca o mandato. O pedetista classificou Delcídio de "réu confesso" e "frouxo".

O processo contra Delcídio avançou no Conselho de Ética depois da A revelação, pela revista "IstoÉ", de termos da delação premiada que Delcídio fez à Procuradoria-Geral da República (PGR), ainda não homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Delcídio ficou preso entre novembro e fevereiro, quando foi revelada a gravação que mostra o petista tentando obstruir as investigações da Operação Lava-Jato. O Conselho de Ética analisará a questão na próxima semana.

"Quando acatamos a representação foi no sentido de perda de mandato, que é a proposição inicial dos dois partidos [Rede e PPS, que subscreveram a representação]", acrescentou o senador.

Delcídio era líder do governo, até sua prisão no ano passado. Ele manteve uma reunião com assessores, o advogado do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, e o filho do executivo, Bernardo. Bernardo decidiu gravar o encontro e enviar seu conteúdo para as autoridades da Lava-Jato. Na gravação, Delcídio cita integrantes do STF e chega a mencionar um plano de fuga para Cerveró. Após aderir à colaboração premiada, Delcídio obteve o benefício do chamado recolhimento noturno, sendo autorizado a retornar àatividade parlamentar.

A defesa do senador tem dito, que se tratavam de bravatas as declarações gravadas segundo as quais o petista atuaria em tribunais superiores para beneficiar Nestor Cerveró e que, na ocasião, registrada em um hotel, Delcídio não estava exercendo atividade parlamentar.

Reportagens veiculadas na imprensa nesta quarta-feira, contudo, mencionaram o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG) e quatro outros senadores como citados na proposta de delação premiada de Delcídio. A menção a colegas faz com que a situação de Delcídio no Conselho de Ética tenha ficado insustentável.

O petista chegou a encaminhar uma carta a cada um dos senadores negando a intenção de causar constrangimentos aos colegas. Delcídio classificou as notícias a respeito como "falsas e delirantes". Aécio diz que não se intimida com menção feita por Delcídio em delação. O tucano afirmou que sua menção evidenciaria mais uma tentativa de vincular a oposição às investigações da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal (PF). "Outras tentativas já ocorreram e foram arquivadas, porque foram desmascaradas, porque eram falsas", disse.

 

Ao falar em "outras tentativas", Aécio se refere a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) de arquivar investigações relacionadas a si em razão delações da Lava-Jato. Também foram citados os senadores Romero Jucá (PMDB-RR), Valdir Raupp (PMDB-RO) e Edison Lobão (PMDB-MA) e o próprio presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Todos repudiaram, diretamente ou por suas assessorias, a associação com irregularidades no escândalo da Petrobras. (Com agências noticiosas)