Título: Cai devastação na Amazônia em agosto
Autor: Sassine, Vinicius
Fonte: Correio Braziliense, 04/10/2011, Brasil, p. 8

Depois de instalar um gabinete de crise para conter o desmatamento na Amazônia, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) anunciou ontem uma queda expressiva das taxas de devastação do bioma em agosto. Foram desmatados, no mês, 164km2 de vegetação nativa, o equivalente a 39 vezes a área do Parque da Cidade, em Brasília. É o menor índice já registrado em agosto. O dado positivo, porém, esconde a incapacidade do governo federal de conter os pequenos desmatamentos, em áreas com 25 hectares ou menos.

Todo ano, cortes com até 25 hectares somam mil quilômetros de Floresta Amazônica devastada. A fiscalização, principalmente por meio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), concentrou-se nos grandes cortes.

Em agosto, a taxa foi 38% menor do que o registrado no mesmo mês do ano passado. Em relação a abril, quando houve o pico de desmatamento que motivou a instalação do gabinete de crise, a queda foi de 65,6%. O MMA divulgou também o tamanho do desmatamento da Amazônia em todo o ano de 2010: foram 7 mil km2, ante 7.464 km2 em 2009. É o menor índice desde 1988, quando começou a ser feito o monitoramento.

Mas a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, ressalta que o desmatamento está mais espalhado. Expandiu-se para fora das regiões mais devastadas, principalmente em áreas consolidadas pela pecuária. Os pequenos cortes, em propriedades rurais instaladas, continuam ocorrendo sem repressão por parte do governo. De cada 7km2 desmatados, 1km2 se refere a áreas com 25 hectares ou menos. Apesar da queda geral do desmatamento da Amazônia, em três estados houve um aumento das taxas de 2009 para 2010: Acre, Amazonas e Rondônia. "O desmatamento está pulverizado em seu padrão espacial.

Novos focos estão aparecendo", afirma Dalton Valeriano, Coordenador do Programa da Amazônia do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Aposta no Bolsa Verde O fortalecimento do Bolsa Verde foi o assunto do programa de rádio Café com a presidenta que foi ao ar ontem. De acordo com Dilma Rousseff, a meta é chegar a 73 mil famílias beneficiadas até 2014. Neste mês, 3.500 lares receberão o auxílio. Os extrativistas, principalmente os da Região Norte, recebem R$ 100 mensais para preservar a floresta em que trabalham. "Essas famílias extrativistas vivem numa integração muito grande com a floresta e são as maiores defensoras da nossa Amazônia", disse a presidente, que completou: "O programa faz o casamento da geração da renda com a preservação ambiental".