Título: Árabes repudiam ataque a mesquita em Israel
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Fonte: Correio Braziliense, 04/10/2011, Mundo, p. 17

Exemplares do Corão queimados no local do atentado, na Galileia

A destruição de uma mesquita em Israel e um violento protesto muçulmano pelo atentado marcaram ontem o primeiro dia da visita do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, ao país. Investigações iniciais apontaram indícios de que o ataque ao templo, ocorrido na madrugada, possa ter sido cometido por extremistas judeus.

Essa investida seria uma resposta ao empenho dos palestinos para que as Nações Unidas reconheçam a Palestina como seu 194º país-membro. O pedido, apresentado à Assembleia Geral da ONU pelo presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmud Abbas, é rejeitado por Israel como unilateral. A disputa aumentou a tensão na conturbada relação entre as duas partes, que congelaram as negociações de paz há cerca de dois anos. A retomada das conversações é um dos motivos que levaram Panetta ao Oriente Médio. "Minha principal mensagem para as duas partes é: vocês não perdem nada retomando as negociações", disse o secretário aos jornalistas que o acompanhavam no avião, pouco antes de pousar em Telavive. Panetta reiterou sua preocupação com o crescente isolamento diplomático de Israel, em meio às reviravoltas provocadas na região pela Primavera Árabe.

Enquanto o enviado de Washington se preparava para encontros com autoridades israelenses, um incêndio danificava uma mesquita no povoado de Tuba, localidade de população árabe-israelense município de Rosh Pina, na Galileia, norte de Israel. Os autores, que não tinham sido identificados até o fim da noite, picharam inscrições como "vingança" e "olho por olho", geralmente deixadas por extremistas quando atacam propriedades ou símbolos dos palestinos em represália a ações destes contra colonos judeus.

Constrangimento O presidente de Israel, Simon Peres, condenou o atentado. "Estou consternado e envergonhado. Isso (o incêndio) não atenta apenas contra a lei, mas também contra a religião e a moral judaicas", declarou. A manifestação teve apoio do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que recriminou a ação como "um ataque aos valores" de Israel. Peres também determinou à polícia e aos serviços de inteligência que encontrem os culpados e que iniciem uma operação de proteção a centros de culto muçulmanos. Isso, porém, não impediu uma violenta reação de membros da minoria árabe no país.

Cerca de 300 palestinos com cidadania israelense saíram às ruas do povoado para protestar. A polícia tentou negociar com religiosos muçulmanos e líderes locais para evitar a manifestação. Entretanto, a passeata só foi dispersada com o recurso a bombas de gás lacrimogêno e de efeito moral.

Antes dos encontros que teve com o ministro de Defesa israelense, Ehud Barak, além de reuniões com Netanyahu e com o presidente palestino, Mahmud Abbas, Panetta falou da posição difícil de Israel no Oriente Médio. Admitiu que o país se destaca militarmente na região, mas advertiu que caminha para o isolamento e deveria prestar atenção às mudanças decorrentes das revoltas árabes, procurando o diálogo e a retomada da paz com os vizinhos.