Correio braziliense, n. 19309, 07/04/2016. Política, p. 5
Por cargos, PP mantém apoio
Paulo de Tarso Lyra
Julia Chaib
Legenda que será a maior beneficiada caso a presidente Dilma Rousseff sobreviva ao processo de impeachment, o PP resolveu, contrariando parte da bancada de deputados e senadores, permanecer na base de apoio do governo, mas sem negociar cargos neste momento. As sinalizações, contudo, são tentadoras: Ministério da Saúde; a manutenção da Integração Nacional, acrescidos do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs); Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) e diretorias do Banco do Nordeste.
O grande ganho atual será a presidência da Caixa Econômica Federal. O banco público administra o pagamento do Bolsa-Família, os subsídios do Minha Casa, Minha Vida, os financiamentos imobiliários e os recursos do FGTS. Tantos atrativos justificam a cautela do presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), após cancelar uma reunião de deputados e senadores para discutir os rumos da legenda. A Executiva do PP deve se encontrar no dia 12.
“Nós não vamos mais discutir rompimento com o governo até a votação na Câmara”, disse Nogueira. O presidente reconheceu que, hoje, o partido está dividido quanto ao apoio ao Planalto. Mas, de acordo com Nogueira, um levantamento interno no partido mostrou que, de 57 votantes da Executiva do partido (número que inclui deputados e senadores), mais de 40 queriam ficar.
Nogueira nega que a decisão tenha a ver com a chamada “repactuação” do governo para acomodar aliados no ministério. “Não vamos negociar e não vamos assumir nenhum cargo até a votação do impeachment”, desconversou. “Nós não deixamos a menor margem para esse tipo de discussão” afirmou.
Dos 49 deputados do PP, estima-se que Ciro Nogueira consiga manter fiéis ao Planalto, com certeza, entre 12 a 13. Outros 14 são renitentemente contrários ao governo, incluindo as alas gaúcha, catarinense, parte do diretório do Rio e alguns parlamentares da região Norte. No Rio, apesar da resistência empedernida do deputado Júlio Lopes, existe uma preocupação de como o governador interino, Francisco Dornelles, conseguirá conduzir o estado diante das dificuldades financeiras. Ele assumiu após a licença do governador Luiz Fernando Pezão, que se afastou para tratamento de um câncer.
“Não vou negar que o partido tem uma grande parcela que vota pelo impeachment e tem que respeitar essas pessoas. Mas a orientação partidária do seu presidente, do seu líder, é estar ao lado da presidente nesse momento da votação”, concluiu.
No Nordeste, área mais beneficiada pelos cargos que estão sendo ofertados, um cacique partidário admite ser difícil o apoio ao impeachment. “A gente anda pelo interior e o que mais ouve são os pedidos: não abandone o Lula”, disse um deputado, brincando que ninguém pensa na presidente.