Título: Europa vê recessão próxima
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Fonte: Correio Braziliense, 14/10/2011, Economia, p. 9

Chances de retração na região subiram de 30% para 40%. O temor dos economistas cresceu após ameaça de quebra de bancos

Os temores crescentes com a escalada da crise da dívida soberana e com o colapso no sistema financeiro da Zona do Euro aumentaram de 30% para 40% as chances de contração nas economias da região. Uma pesquisa realizada pela Reuters na semana passada, com 70 economistas, apontou a probabilidade maior de uma forte retração na atividade na União Europeia. Dos analistas ouvidos, 10 previram a recessão, fenômeno definido tecnicamente como dois trimestres consecutivos de contração do Produto Interno Bruto (PIB). Na sondagem do mês passado, não havia estimativa tão negativa.

"Indicadores importantes apontam para condições econômicas mais fracas. As sondagens de confiança têm se deteriorado por setores-chaves da economia da Zona do Euro, em meio a um cenário de incerteza elevada e tensões no mercado financeiro", afirmou Ken Wattret, do Banco BNP Paribas. As previsões para 2012 não são as melhores. A estagnação é provavelmente o melhor que muitas das maiores economias do mundo desenvolvido podem esperar para o próximo ano, com vários países enfrentando uma chance significativa de recuo no PIB. A Itália, por exemplo, sacudida por impasses políticos, medidas de austeridade e temores do mercado sobre sua capacidade de financiamento, é forte candidata à recessão.

Após um início promissor, 2011 se transformou em uma enorme decepção para as principais economias do mundo rico, prejudicado por uma combinação nociva de austeridade, crises da dívida, desastres naturais e impasse político. No segundo trimestre de 2011, a economia da Zona do Euro, no seu conjunto, cresceu apenas 0,2%. Neste trimestre, a depender das opiniões dos economistas, não haverá crescimento na região. Para o primeiro trimestre de 2012, a projeção é de expansão de 0,2%, ante projeção anterior de alta de 0,3%.

Estados Unidos Reforçada pelos números fracos da balança comercial da China, que apontavam para uma profunda fraqueza global econômica, a pesquisa trimestral de outubro sugeriu que um surto de crescimento fraco em muitas economias industrializadas pode ir além de 2012. A economia mundial deve crescer 3,8% em 2011, mas apenas 3,6% no próximo ano ¿ um contraste diante das previsões de 4,1% e 4,3%, respectivamente, da pesquisa de julho. Mas mesmo essas mornas taxas de expansão podem depender do progresso na remoção de alguns dos obstáculos, como os entraves que seguram os Estados Unidos.

O crescimento econômico norte-americano deve se recuperar um pouco no fim do ano, mas os analistas ainda veem uma chance em três de a economia voltar à recessão. Dados recentes mais fortes que o esperado de emprego e crescimento amenizaram os temores de contração. "Saímos do abismo. Os dados que estamos vendo sugerem certamente que a economia não está em queda livre", disse o economista-chefe do Raymond James, Scott Brown. Contudo, a pesquisa Reuters apontou para uma economia cambaleando após um primeiro semestre fraco, com o desemprego em torno de 9% até o fim do ano que vem.