Valor econômico, v. 17, n. 4013, 27/05/2016. Brasil, p. A4

Serra escolhe Evandro Didonet como novo embaixador do Brasil junto à OMC

Por: Por Assis Moreira

 

O embaixador Evandro Didonet será o novo representante do Brasil junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), entidade central na governança global e um posto-chave na estratégia do governo para integrar mais o país na economia mundial. A escolha foi feita ontem pelo ministro José Serra, conforme o Valor apurou.

Didonet é embaixador na Áustria e vai para Genebra no lugar de Galvão, que passou a secretário-geral do Itamaraty

Didonet vai substituir o embaixador Marcos Galvão, que assumiu o posto de secretário-geral do Itamaraty. Gaúcho, 57 anos, ele é atualmente o embaixador do Brasil na Áustria e também junto à Agência Internacional de Energia Atômica, em Viena.

Didonet fez quase toda sua carreira na área econômica. É especialista em comércio e em Mercosul, e sua escolha é tecnicamente sólida. Foi diretor do Departamento de Negociações Internacionais do Itamaraty entre 2007 e 2012. Antes, foi ministro na embaixada em Washington.

Sua primeira função no Itamaraty foi negociar com países do Leste Europeu, membros do então bloco Comecon. Serviu também em Pequim, Bonn, Roma e Ottawa.

Evandro Didonet chegará à OMC num momento em que os países examinam como conseguir resultados mais rápidos e que melhorem a estabilidade e a previsibilidade do comércio internacional, no rastro do fiasco da Rodada Doha após 15 anos de negociações.

A postura brasileira está mudando. O país passou a aceitar discutir a negociação de novos temas na OMC, ao contrário da Índia, por exemplo. Tampouco exclui entrar nas negociações plurilaterais, que aceleram a liberalização em setores específicos da economia e nas quais participa quem quiser.

A nova postura na OMC, que Evandro Didonet vai refletir, é de não trabalhar com base em preconceitos e estereótipos. E isso abre o caminho para o país entrar muito provavelmente em dois futuros acordos plurilaterais, sobre comércio eletrônico e disciplinamento de subsídios ao setor pesqueiro.

As alianças na OMC também serão mais pragmáticas. O G-20 agrícola, que o país liderou, submergiu, na medida em que China e Índia passaram praticamente a liderar justamente o outro lado, de protecionistas agrícolas entre os países emergentes.

No fim de 2015, em Nairóbi (Quênia), o Brasil conseguiu o que não tinha obtido em anos com o G-20, que foi a eliminação dos subsídios na exportação agrícola. Para isso, juntou forças até mesmo com a União Europeia, tradicional oponente em outros temas de negociações agrícolas.

Uma das tarefas que aguardam Didonet é a demanda da Índia para obter direito de elevar tarifa em caso de súbito aumento na importação agrícola. O Itamaraty tem sinalizado que isso só vai prosperar se for precedido de uma liberalização no mercado indiano. O Brasil insistirá igualmente no combate aos bilionários subsídios à produção agrícola nos países ricos.

Alem de Sérgio Danese, nomeado para embaixador na Argentina, e Didonet para a OMC, está confirmado que Roberto Jaguaribe deixa a embaixada na China e vai chefiar a Apex, a Agência de Promoção das Exportações. Mas outras movimentações de embaixadores ainda não estão confirmadas.