Título: Pedido de ajuda ao FBI
Autor:
Fonte: Correio Braziliense, 20/10/2011, Brasil, p. 13
Polícia dos EUA se diz "sensível" à importação ilegal. Empresa brasileira é suspeita de empregar crianças
O Ministério Público do Trabalho (MPT) em Pernambuco investiga a suspeita de que a mesma empresa têxtil envolvida na importação irregular de toneladas de lixo hospitalar norte-americano empregava crianças nas fábricas. Instaurado pela procuradora do Trabalho Ana Carolina Ribemboim, o inquérito também vai apurar os indícios de que a empresa Na Intimidade, que funciona com o nome fantasia Império do Forro de Bolso, não fornecia aos funcionários os equipamentos de proteção individual obrigatórios. Enquanto o FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, sinaliza que vai entrar nas investigações, o responsável pela importação, o empresário Altair Teixeira, alega inocência. Ele foi ouvido pelas polícias Federal e Civil ontem.
De acordo com o advogado de defesa, Gilberto Lima, os tecidos com logomarcas de hospitais americanos encontrados em três galpões da empresa foram inspecionados por técnicos da Universidade Federal de Pernambuco, que teriam emitido um laudo isentando o material de qualquer risco à saúde humana. Wilson Damázio, secretário da Defesa Social de Pernambuco, solicitou ajuda do FBI na investigação. "Conversei com o chefe do FBI em Brasília. Ele se mostrou sensível ao caso e deve designar um agente para trabalhar conosco." Damázio também pediu o apoio dos EUA ao consulado em Recife, especialmente depois que o governador, Eduardo Campos, culpou o país norte-americano pelo escândalo do lixo contaminado.
Em outra frente, o MPT vai averiguar a denúncia de trabalho infantil depois que um morador de Caruaru disse, em uma rádio local, que seus filhos, menores de idade, trabalhavam na empresa. Um segundo entrevistado relatou que ao menos 13 funcionários da Império do Forro trabalhavam sem os equipamentos de proteção. O MPT sustenta que, pela atual legislação sanitária, o material hospitalar não deveria sequer ser manuseado. Isso porque a importação e a reciclagem desse tipo de resíduo são proibidas. Nos casos em que o contato é inevitável, como em lavanderias que cuidam das roupas de cama e banho de hospitais brasileiros, o empregador é obrigado a fornecer aos funcionários todos os equipamentos de proteção.
Contêineres Além de interditar uma loja e dois galpões ¿ onde a Império do Forro armazenava toneladas de tecido com a identificação de hospitais norte-americanos e manchas que podem ser de sangue ¿, as autoridades apreenderam no Porto de Suape, na semana passada, dois contêineres com mais de 46t de lixo hospitalar. Lençóis, forros, seringas, luvas e máscaras vieram dos Estados Unidos como se o carregamento fosse de retalhos de tecido. Até um hotel, no interior do estado, usava as roupas de cama vindas de hospitais americanos. As autoridades ainda não confirmaram se a Império do Forro é a responsável por trazer ao Brasil os dois contêineres retidos na semana passada, mas investigam se o restante do material apreendido nos estabelecimentos da empresa faz parte da carga contida nos seis contêineres que a companhia já havia recebido da mesma empresa norte-americana desde o início deste ano.
Apreensão em Ilhéus (BA) Agentes da Delegacia de Furtos e Roubos de Ilhéus, no Sul da Bahia, apreenderam materiais de uso hospitalar sendo vendidos em uma loja de tecidos da cidade. Lençóis, fronhas e roupas para pacientes com marcas que parecem sangue foram enviados ao Centro de Controle de Zoonoses de Ilhéus. Ao todo, 830kg de produtos foram recolhidos. O dono do estabelecimento disse, em depoimento, que comprou os materiais em São Paulo. A suspeita é de que eles venham de unidades de saúde de São Paulo e do Rio de Janeiro.