O globo, n. 30235, 18/05/2016. País, p. 9

STF ENCONTRA GRAMPO EM GABINETE DE MINISTRO

Aparelho, colocado dentro de uma caixa embaixo de mesa usada por Luís Roberto Barroso, estava desativado
Por: CAROLINA BRÍGIDO

CAROLINA BRÍGIDO

carolina@bsb.oglobo.com.br

 

BRASÍLIA- A Secretaria de Segurança do Supremo Tribunal Federal (STF) descobriu um aparelho de escuta ambiental dentro do gabinete do ministro Luís Roberto Barroso. O equipamento foi achado no dia 11 de abril, numa varredura de rotina feita nos gabinetes dos ministros. O dispositivo estava desativado e foi encontrado numa pequena caixa, embaixo da mesa de Barroso. Não se sabe há quanto tempo o aparelho estava no local.

— Eu acho, do ponto de vista institucional, gravíssimo. Uma ousadia, uma desfaçatez alguém colocar um aparelho de escuta no gabinete de um ministro do Supremo, tenha sido no meu, ou se estivesse aí desde muito antes, o que não se sabe. Agora, do ponto de vista pessoal, estou totalmente tranquilo e confortável, aqui é um espaço totalmente republicano. A gravidade é alguém saber por antecipação o que eventualmente estou pensando em fazer em um processo — disse Barroso.

O ministro disse que não ficou surpreso com a escuta:

— Nada no Brasil de hoje surpreende — afirmou.

O equipamento está em posse da Secretaria de Segurança do tribunal, que se recusa a prestar informação sobre o ocorrido. O gabinete do ministro informou que o caso está sendo apurado. Por questões de segurança, o tribunal não divulga qual a periodicidade das varreduras.

Barroso integra o STF desde junho de 2013. Antes dele, quem ocupava o gabinete era Joaquim Barbosa, hoje aposentado. Como as varreduras são frequentes, é pouco provável que o equipamento estivesse no local antes da aposentadoria de Barbosa.

Barroso disse que sua rotina de trabalho inclui audiência com advogados e partes interessadas nos processos e reuniões com assessores. Ele deixa para escrever as decisões em casa, à mão. Depois, digita no computador. Portanto, seria difícil uma decisão ter vazado.

— Se alguém ouviu, ficou sabendo que aqui no nosso gabinete a gente trabalha muito e com bom humor — disse Barroso, que foi relator do acórdão que definiu o rito do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.