— Se acontecer alguma coisa e eu vier a ocupar a Presidência (não mais como interino), ela virá para exercer toda a área social. Vai trabalhar intensamente. Ela é advogada e tem muita preocupação com as questões sociais — afirmou o presidente interino.
Marcela e o filho estavam no Palácio do Jaburu, local da entrevista concedida ao “Fantástico”, mas os dois não saíram da área íntima da residência oficial. O casal está junto desde 2003: ela tem 32 anos; e o presidente, 75.
MULHER NA CHEFIA DE GABINETE
Na entrevista, Temer também questionou as críticas feitas à composição de seu ministério, formado apenas por homens. O presidente citou a chefia de gabinete da Presidência da República, cargo exercido atualmente por Nara de Deus Vieira, para lembrar que há ao menos uma representante feminina na cúpula do governo:
— Eu contesto a afirmação de que não há nenhuma mulher (no ministério). Um dos cargos mais importantes da República é a chefia de gabinete da Presidência, ocupada por uma mulher. Aliás, no dia da reunião ministerial, ela participou. É um dos principais cargos, não digo que esteja acima dos ministros, mas evidentemente tem uma prevalência muito grande em relação ao Ministério.
O presidente também reiterou que pretende chamar mulheres para cargos de secretaria, ainda vagos:
— Para a Cultura eu quero trazer uma representante do mundo feminino. Para a Ciência e Tecnologia e Comunicações, quero trazer uma representante do mundo feminino, e também na chamada Igualdade Racial, Mulheres e etc., que passou a ser Cidadania, eu quero trazer uma mulher. Portanto eu terei no mínimo quatro mulheres integrantes do Ministério.
Temer minimizou o fato de essas funções não terem status de ministério:
— Há pessoas que se seduzem com a historia de ser ministro ou não. Eu já exerci funções sem ser secretário de Estado e desenvolvi trabalhos extraordinários.
Ainda sobre seu ministério, o presidente saiu em defesa de Romero Jucá (Planejamento), investigado na Operação Lava-Jato. Lembrou que Jucá ainda não é réu e que, caso isso venha a acontecer, vai “examinar” o que fazer.
— O Jucá é uma figura, permita-me o elogio, de uma competência administrativa extraordinária — afirmou.
TRANSIÇÃO NA PREVIDÊNCIA
Sobre um dos temas que prometem estar entre os mais polêmicos de seu governo, a reforma da Previdência, Temer disse que qualquer mudança que “vulnere direito adquirido” não será feita. Mas ele não descartou a utilização de regras de transição:
— As chamadas regras de transição muitas vezes não ferem o direito adquirido porque apanham aqueles que ainda estão para se aposentar. Essa matéria não está definida. O que não é possível é não fazer nada ou, daqui a alguns anos, quem sofrerá as consequências serão exatamente os aposentados.
O presidente também reiterou o compromisso de manutenção de programas sociais, como o Bolsa Família:
— Quando eu disse “olhe, eu vou manter o Bolsa Família e outros programas sociais” é na concepção mais absoluta de que há de haver uma certa proteção para aqueles que não têm por conta própria a possibilidade de sobrevivência. Se for necessário cortarei de outros setores, não cortarei daqueles mais carentes no país.
No fim da entrevista, Temer disse que não pretende concorrer a uma reeleição, mas, ao ser perguntado por mais de uma vez, não descartou completamente a possibilidade:
— Não é a minha intenção. Eu posso ser até, digamos assim, impopular, mas, desde que produza benefícios para o país, para mim é suficiente. Mas não será candidato? — É uma pergunta complicada.. Em nenhuma hipótese... De repente, pode acontecer.
“Eu posso ser até, digamos assim, impopular, mas, desde que produza benefícios para o país, para mim é suficiente.”
Michel Temer
Presidente interino