O Estado de São Paulo, n. 44761, 06/05/2016. Política, p. A15

Comissão permite que Delcídio se defenda antes de votação

Isabela Bonfim

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado acatou os pedidos do senador Delcídio Amaral (sem partido- MS) e permitiu que ele se defenda pessoalmente na segunda-feira do seu processo de cassação.O parecer que recomenda o fim do mandato do senador foi aprovado na terça-feira passada no Conselho de Ética da Casa.

Antes de seguir ao plenário, entretanto, é preciso que a constitucionalidade da questão seja examinada. O relator na CCJ, senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), também já deu parecer favorável pela cassação de Delcídio, mas é preciso que a decisão seja acolhida pelos membros da comissão em votação.

Ainda ontem, a defesa do senador requisitou que ele fosse ouvido na CCJ antes da votação. A mesma situação aconteceu por um mês no Conselho de Ética, onde os senadores marcaram cinco audiências para receber Delcídio, mas ele faltou alegando problemas de saúde. O pedido da defesa para ouvir o senador nesta semana veio acompanhado de um pedido de licença de 100 dias.

 

Impeachment. Mesmo com a votação remarcada para segunda-feira, é possível manter o calendário previsto pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que confirmou que a votação final pela cassação de Delcídio, no plenário da Casa, deve acontecer na próxima terça-feira, um dia antes da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Foi a própria presidente quem pediu que a votação da cassação do ex-líder do seu governo acontecesse antes da análise do impeachment pelo Senado. Caso Delcídio não seja cassado nesta semana, é muito possível que ele compareça a audiência do impeachment e vote pelo afastamento da presidente, como já declarou.

 

O senador foi preso preventivamente no dia 25 de novembro do ano passado, acusado de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato. Após mais de 80 dias preso, o senador foi solto após firmar um acordo de delação premiada.