O Estado de São Paulo, n. 44767, 12/05/2016. Política, p. A6

Vice vai defender 'pacificação e unidade do País'

Erich Decat

Victor Martins

Na iminência de assumir interinamente o comando da Presidência da República a partir desta quinta-feira, 11, o vice-presidente Michel Temer definiu na quarta-feira, 11, com auxiliares o pronunciamento que deseja fazer à Nação, caso seja confirmado pelo Senado o afastamento de Dilma Rousseff do cargo por até 180 dias. O peemedebista vai pregar a “pacificação e a unidade do País”, além da retomada do crescimento econômico.

A declaração será dada em pronunciamento à imprensa previsto para esta quinta, no Palácio do Planalto. A expectativa é de que o vice seja notificado por volta das 11h do afastamento da titular do cargo. Em meio à correria dos preparativos para assumir o comando do País e das negociações com integrantes da futura base aliada, Temer falou ao Estado sobre o seu primeiro discurso como presidente. “Vai ser a pacificação e unidade do País, além do crescimento da economia. Vamos tomar medidas para isso”, disse.

Questionado se também anunciará nesta quinta as propostas que o novo governo pretende tomar na área econômica, Temer respondeu: “Vamos usar essa frase genérica, as medidas virão depois”. Segundo ele, por outro lado, a nova equipe ministerial deverá ser apresentada durante o pronunciamento. “O Ministério anuncio amanhã (hoje)”, afirmou Temer.

O peemedebista deixou o gabinete da Vice-presidência por volta da 1h10 desta madrugada, após se reunir com políticos cotados para integrar a nova equipe. Temer minimizou as dificuldades para a montagem do Ministério: “Não está difícil”. Naquele momento, os senadores ainda discursavam no plenário. “Vamos aguardar serenamente o resultado do Senado. Ainda temos 4 ou 5 horas pela frente”, comentou.

 

Redução. A ideia do vice é cortar dez dos atuais 32 ministérios. Ao longo da quarta-feira, alguns dos auxiliares mais próximos de Temer também foram incumbidos de fazerem um raio X na estrutura de cargos comissionados e organizacional do Palácio do Planalto. A intenção é definir o que deve ou não permanecer na nova gestão.

Cotado para a Casa Civil, o ex-ministro Eliseu Padilha disse que o grupo próximo de Temer passaria a noite “concluindo atos que dizem respeito à posse dos ministros”. Segundo ele, já haverá uma primeira reunião ministerial com a nova equipe de governo.

Outro futuro ministro do núcleo duro de Temer, o ex-deputado Geddel Vieira Lima afirmou que a expectativa é de que o peemedebista já seja presidente às 11h e fale à imprensa às 15h.

 

Jaburu. Enquanto os assessores faziam o levantamento dos cargos, Temer passou a maior parte do dia no Palácio do Jaburu, residência oficial da vice-presidência. No fim da tarde a mulher do vice, Marcela Temer, e o filho do casal, que também se chama Michel, chegaram ao local. Em meio ao entre e sai no Palácio, os arredores receberam reforço da segurança em razão da possibilidade de ocorrer um ato promovido por movimentos sociais e pelo PT após a possibilidade de aprovação da admissibilidade do impeachment no Senado.

Durante o dia, o vice recebeu comitivas de lideranças partidárias e parlamentares que ainda disputam espaços no primeiro escalão do futuro governo. Entre os impasses surgidos na reta final para a definição da equipe ministerial está a tentativa de contemplar a bancada do PMDB de Minas Gerais, que ficaria com a Defesa, mas foi descartada após forte reação crítica dos militares.

O vice-presidente também recebeu lideranças do PPS e do PSB, que ressaltaram que as legendas pretendem ajudar na governabilidade da próxima gestão. “Precisamos de uma pauta para o Congresso, para que o Brasil volte a crescer, tenha emprego e diminua a inflação”, afirmou o deputado Danilo Forte (PSB-CE), após deixar o Jaburu.

Segundo o parlamentar, que já foi filiado ao PMDB, existem várias medidas em tramitação na Câmara que podem ser benéficas para recuperar a economia brasileira e ajudar no ajuste das contas públicas. Forte citou como prioridades a Desvinculação das Receitas da União (DRU), a revisão da meta fiscal e uma proposta de incentivo aos municípios.

O presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), disse não esperar mais nenhuma surpresa no curso do processo do impeachment. “Espero que, para o bem de todos nós, o Congresso, como fez o impeachment, dificilmente não dará sustentação a esse governo. A sociedade vai exigir e o Congresso vai cumprir”, afirmou.

Também está no radar de líderes das siglas que devem compor a nova base aliada a tentativa de tirar da presidência da Câmara o deputado Waldir Maranhão (PP-MA), que tentou manobrar para anular o processo de impeachment, mas revogou a própria decisão. / COLABOROU CARLA ARAÚJO

 

Conteúdo

“Vai ser a pacificação e unidade do País, além do crescimento da economia”

 

"Vamos usar essa frase genérica, as medidas virão depois”

 

O Ministério anuncio amanhã (hoje)”

Michel Temer

VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA

 

COTADOS

Ministério da Fazenda

Henrique Meirelles

Temer definiu o ex-presidente do Banco Central para a pasta.

 

 

Relações Exteriores

José Serra

Senador tucano é o nome forte para assumir o Itamaraty.

 

 

Casa Civil

Eliseu Padilha

Ex-ministro da Aviação Civil é o nome quase certo para chefiar a Casa Civil de eventual governo Temer.

 

 

Ministério do Planejamento

Romero Jucá

Senador do PMDB é nome cotado para o Planejamento.

 

 

Coordenação de Infraestrutura

Moreira Franco

Peemedebista ocuparia uma supersecretaria ligada à Presidência da República.

 

 

Secretaria de Governo

Geddel Vieira Lima

Ex-ministro da Integração e 1.º- secretário do PMDB já atua na articulação para o vice.

 

 

Ministério da Saúde

Ricardo Barros

Deputado do PP é cotado para assumir a pasta.

 

 

Ministério dos Transportes

Maurício Quintella

Deputado do PR é cotado para assumir pasta.

 

 

Ministério do Esporte

Leonardo Picciani

Líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Picciani pode assumir ministério.

 

 

Ministério da Justiça

Alexandre de Moraes

Também cogitado para a AGU é agora mais cotado para a Justiça.

 

 

Controladoria- Geral da União

Márcio Elias Rosa

O ex-procurador-geral de Justiça São Paulo é o mais cotado para assumir a CGU.

 

Ciência e Tecnologia/ Comunicações

Gilberto Kassab

Ex-ministro das Cidades é cotado para assumir nova pasta.

 

Ministério do Desenvolvimento

Marcos Pereira

Presidente do PRB, pastor é cotado para a pasta.

 

Ministério da Educação

Mendonça Filho

Deputado do DEM está entre os cotados para assumir pasta.

 

Ministério da Agricultura

Blairo Maggi

Senador se filiou ao PP para assumir pasta.

 

Ministério do Meio Ambiente

Sarney Filho

Deputado do PV é cotado para a pasta.

 

Ministério das Cidades

Bruno Araújo

Parlamentar tucano deve assumir ministério.

 

Ministério do Turismo

Henrique Eduardo Alves

 

Peemedebista é cotado para reassumir pasta.