Aumento para o Bolsa Família é maior do que o anunciado por Dilma

Tânia Monteiro e Carla Araújo 

30/06/2016

 

 

Por causa das restrições do calendário eleitoral, Temer apressa anúncio de reajuste médio de 12,5% para beneficiários

O anúncio  do reajuste do Bolsa Família não estava previsto na agenda de Michel Temer. O presidente em exercício participaria apenas da cerimônia com o ministro da Educação de ampliação de recursos para beneficiar cerca de 1.200 municípios.

Mas, por causa das restrições do calendário eleitoral – que impedem liberação de recursos a partir de 1.º de julho, três meses antes das eleições –, Temer apressou o aumento do benefício.

O reajuste, que terá um custo de R$ 2,1 bilhões por ano, ficou acima dos 9% anunciados pela presidente afastada Dilma Rousseff em 1.º de maio. O governo interino pretende contrapor o discurso petista de que quer acabar com os programas sociais e lançar agendas positivas.

O aumento médio do benefício do Bolsa Família foi de 12,5%. Para a educação básica de Estados e municípios foram liberados R$ 742,8 milhões.

Os ministros do Desenvolvimento Social, Osmar Terra, e da Educação, Mendonça Filho, afirmaram que os novos anúncios não implicam aumento de despesas.

Mendonça disse que a sua verba virá de recursos descontingenciados e Terra, de “remanejamento” de verbas já previstas no Orçamento deste ano.

O reajuste do Bolsa Família – programa que abrange 14 milhões de famílias – passará a ser pago a partir de 18 de julho.

Em discurso, Temer disse que a medida mostra “valorização do programa”, mas ressaltou que apesar de fundamental ele não deve ser algo “para perdurar”.

“Enquanto houver extrema pobreza, o Bolsa Família é preciso ter programas desta natureza”, afirmou o presidente em exercício, acrescendo que “num dado momento” que talvez ele seja desnecessário.

“No Brasil, muitos têm a mania de achar que, se um governo sucede outro, tem que desmoralizar e desprezar tudo aquilo que deu certo no governo passado”, disse Temer.

‘Irresponsabilidade’. Em entrevista ao Jornal do SBT, Dilma afirmou ontem que o presidente em exercício comete uma “irresponsabilidade fiscal” ao dar o reajuste dos servidores públicos e disse que a decisão de “voltar atrás” e conceder aumento do Bolsa Família já deveria ter sido tomada. “Depois de nós insistirmos sistematicamente que era um absurdo não darem reajuste, eles deram. Eles não deram antes porque não têm compromisso com o povo”, disse a petista.

“É um reajuste muito pequeno diante do reajuste que eles deram para aqueles setores dentro do funcionalismo público. Acho absoluta irresponsabilidade fiscal.”