Título: Não era prioridade
Autor: Abreu, Diego; Tolentino, Lucas
Fonte: Correio Braziliense, 26/10/2011, Política, p. 2
O presidente do PCdoB, Renato Rabelo, admitiu que o esporte nunca foi uma bandeira do partido, só abraçada pela sigla graças ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o comunista, quando o ministério foi criado, em 2002, Lula ofereceu a futura pasta ao PCdoB, vislumbrando um crescimento para o partido.
Deu certo. De acordo com Rabelo, a legenda conta hoje com 500 filiados envolvidos com o tema do esporte, entre secretários, assessores técnicos e o próprio Orlando Silva. Avesso à ideia de deixar a pasta, o presidente avisa: "Não consideramos essa hipótese".
Como começou a ligação entre o PCdoB e o esporte? Quando o Lula assumiu a presidência, o ministério não existia. Nós não tínhamos experiência nessa área, não era o tema prioritário (do partido). E o Lula nos convenceu que, num ministério novo, o do Esporte, a gente poderia jogar um papel importante.
O esporte se tornou um nicho do partido em todo o país? Começamos a esmiuçar a questão, puxamos para o lado da educação. O PCdoB tem bons quadros. Não colocamos qualquer pessoa nos cargos. E o ministério passou a ter peso. Nós temos secretários em vários municípios. O partido passou a ter quadros técnicos na área do desporto em muitos lugares. Não era um tema que o partido tinha na frente dele, mas passou a ter. Hoje, nós temos em torno de 500 pessoas envolvidas com essa questão do esporte, em cargos públicos. Umas em secretarias, outras em assessorias técnicas.
A ligação do partido com a UNE influenciou nessa opção pelo esporte? Tem a ver. O esporte tem uma relação muito próxima com a juventude. O PCdoB é um partido diferente dos outros, em que a juventude tem um papel grande. Temos juventude organizada.
Uma eventual troca do Esporte pelo Ministério da Cultura interessaria ao PCdoB? Eu não posso responder nada nesse sentido porque nós não consideramos essa hipótese. O PCdoB acha que deve manter o ministro, ele é de nossa confiança.