Título: Credor pode perder 50%
Autor: Cristino, Vânia
Fonte: Correio Braziliense, 26/10/2011, Economia, p. 11
Zurique – Investidores privados podem ter que aceitar uma perda de 50% no valor dos títulos gregos que possuem para ajudar a tornar a dívida do país sustentável, disse, ontem, o presidente do grupo de ministros de Finanças da Zona do Euro (Eurogroup), Jean-Claude Juncker. Essa será uma das principais definições a que os líderes europeus procurarão chegar na reunião de cúpula de hoje, em Bruxelas. Outro ponto chave é a montagem de um mecanismo para aumentar o poder financeiro do fundo de resgate das economias da região que se encontram fortemente endividadas.
Em junho passado, os dirigentes haviam estabelecido em 21% a perda que os credores privados teriam que assumir no âmbito de um pacote de 159 bilhões de euros de socorro à Grécia. Hoje esse número se revela insuficiente devido à recessão aguda que diminuiu expressivamente a capacidade de pagamento do país.
"A participação dos credores privados terá de ser corrigida maciçamente para cima, terá de ser mais substancial, cerca de 50%", disse Juncker.
Convencer os bancos a assumir o prejuízo, contudo, vai exigir esforço. "As negociações com o setor privado são muito difíceis e podem ser um dos pontos mais difíceis da cúpula", disse uma autoridade da União Europeia. Também não está claro como será elevado o poder de intervenção do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef), atualmente de 440 bilhões de euros — se ele receberá contribuições adicionais dos países e do Fundo Monetário Internacional (FMI), ou se atuará concedendo garantias a investidores, ou as duas coisas juntas.
A Alemanha terá papel chave nessa questão, mas esbarra em dificuldades políticas internas para aumentar sua contribuição. Ontem, a chanceler Angela Merkel fez um apelo aos parlamentares de todos os partidos para que apoiem o plano para aumentar o poder do fundo de resgate, em uma votação que ocorrerá horas antes da cúpula da União Europeia (UE). Merkel precisa vencer a votação para ter mandato para negociar um acordo com outros líderes. "Eu sou obrigada, pelo meu juramento de posse, a evitar danos para o povo alemão, para fazer o bem para o povo alemão", disse ela.