Título: Lamentos e críticas pela morte
Autor: Luiz, Edson
Fonte: Correio Braziliense, 07/11/2011, Brasil, p. 6
O Grupo Bandeirantes lamentou a morte do funcionário Gelson Domingos, 46 anos, por meio de nota. Segundo a empresa, o repórter cinematográfico, "atingido no peito em pleno exercício da sua profissão, na cobertura de uma operação da polícia na Favela de Antares", estava devidamente protegido. "O funcionário estava de colete à prova de balas — modelo permitido pelas Forças Armadas — no momento em que foi baleado, mas foi atingido por um tiro de fuzil, provavelmente disparado por um traficante. A bala atravessou o colete", afirma o texto. A Bandeirantes reiterou que "toma todas as precauções para garantir a segurança de seus jornalistas nas coberturas diárias no estado do Rio".
O presidente da Associação Profissional dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio de Janeiro (Arfoc-Rio), Alberto Jacob Filho, afirmou que o assassinato do cinegrafista "é mais um capítulo da trágica história da cidade do Rio de Janeiro, que nos deixa consternados e preocupados com o seu futuro e o da profissão. Está mais do que provado que o jornalista precisa se capacitar para esse tipo de cobertura e, quando julgar necessário, se recusar a arriscar a vida em situações como essa". A Arfoc-Rio ainda clamou pela investigação do caso: "Exigimos das autoridades de segurança do Estado do Rio de Janeiro que sejam tomadas as providências necessárias para apurar as circunstâncias que levaram nosso colega à morte e a prisão do autor do disparo". A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) também divulgou nota lamentando a morte do cinegrafista da TV Bandeirantes. A entidade manifestou solidariedade aos familiares, colegas e amigos dele.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, por sua vez, afirmou, também por meio de nota, que "vê com indignação" a morte de Gelson Domingos, que teria sido provocada por falhas na estrutura de trabalho oferecida aos profissionais da imprensa: "É mais uma morte que resultou da falta de segurança em coberturas de risco no Rio de Janeiro". Segundo o sindicato, os profissionais vão para as ruas submetidos a uma condição "pífia", incluindo a resistência dos coletes à prova de balas fornecido. "O Sindicato dos Jornalistas já havia alertado os veículos e exigiu que o material (o colete) fosse analisado por especialistas do setor", afirma a nota.
O sociólogo e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro Ignácio Cano critica a forma de atuação dos meios de comunicação. Para ele, o risco de se ter um profissional na Favela de Antares cobrindo a ação da polícia ontem não se justificava. "A matéria iria mostrar uma situação que se repete, acontece rotineiramente no Rio de Janeiro", explica. Segundo ele, qualquer cidadão está exposto e corre o risco de ser vítima de uma bala perdida, mas os veículos de comunicação expõem ainda mais seus funcionários, sem necessidade. Nesse caso, ele acredita que o erro não é da polícia, mas da imprensa. "Não vale a pena", completa.