Um ministério para agradar a dois aliados
29/06/2016
Temer quer usar Turismo para ficar bem com PMDB na Câmara e com Renan
O presidente interino, Michel Temer, quer usar o Ministério do Turismo, cujo comando está vago desde que Henrique Alves deixou a pasta — acusado pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado de ter recebido R$ 1,5 milhão em propina —, para resolver dois problemas de uma só vez. Temer pretende atender ao pedido da bancada do PMDB na Câmara de indicar o ministro e, ao mesmo tempo, agradar ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que comanda a Casa onde será julgado o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Nesse cenário, o nome do deputado Marx Beltrão (PMDB-AL) tornou-se o mais cotado e pode ser definido até o fim da semana.
O acordo ainda não aconteceu pela falta de entendimento na bancada do PMDB da Câmara. Há uma disputa interna com ao menos quatro candidatos além de Marx Beltrão: os mineiros Newton Cardoso Júnior, Saraiva Felipe e Leonardo Quintão; e o catarinense Mauro Mariani. Apesar de não existir um pedido de Renan, a avaliação do governo é que a indicação de Beltrão, do mesmo estado do presidente do Senado, o agradaria e seria mais um gesto para a boa relação que vem sendo buscada por Temer.
— Temer quer deixar a indicação com a bancada, mas não quer arbitrar a disputa interna. O nome mais forte é o do Marx porque, apesar de estar no primeiro mandato, ele dialoga bem com todo mundo e, ao mesmo tempo, é ligado ao Renan. Seria uma solução para agradar gregos e troianos — afirmou um peemedebista que participa da articulação.
Interlocutores de Temer praticamente descartaram a indicação de um mineiro.
— Se eles chegassem a um entendimento, até poderia sair de Minas o nome, mas a bancada não se acerta e está muito dividida. Cada hora vem um aqui falar com o presidente sobre a indicação — contou um auxiliar presidencial.
Ontem, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse que o presidente interino pretende definir ainda esta semana quem ocupará o posto. Segundo Padilha, porém, é possível que o novo ministro do Turismo não seja filiado ao PMDB, mas certamente será indicado pelo partido. (Júnia Gama, Simone Iglesias, Catarina Alencastro e Eduardo Barreto)
O globo, n. 30277, 29/06/2016. País, p. 4.