Título: Itália paga juro recorde
Autor:
Fonte: Correio Braziliense, 08/11/2011, Economia, p. 13

Roma — Bola da vez da onda de desconfiança dos investidores e em meio a fortes pressões pela renúncia do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, a Itália teve que pagar ontem os juros mais elevados desde 1997 para conseguir rolar os títulos de sua dívida pública, cujo total soma 1,9 trilhão de euros. O rendimento dos bônus governamentais de 10 anos chegou a 6,67% ao ano, novo recorde desde a criação do euro, atingindo um patamar que, se mantido por muito tempo, tornará insustentável o endividamento do país.

Para evitar o pior, o Banco Central Europeu (BCE) comprou quantidades limitadas de títulos no mercado secundário, segundo relatos de operadores. Hoje, o parlamento italiano deve enfrentar mais uma sessão de votação de medidas de austeridade, propostas pelo governo, que colocará à prova a escassa maioria de que Berlusconi ainda afirma dispor. A oposição de centro-esquerda disse estar preparando uma moção de desconfiança que pode derrubar o primeiro-ministro, mesmo que ele consiga aval para as medidas.

Única saída Ontem, Berlusconi voltou a negar os rumores de renúncia que vem circulando há vários dias e se intensificaram com declarações de colaboradores próximos do dirigente. "Que Berlusconi está a ponto de ceder seu lugar é agora algo claro, é uma questão de horas, inclusive de minutos", disse Giuliano Ferrara, diretor do jornal de direita Il Foglio, considerado um dos conselheiros do primeiro ministro. Os boatos ganharam corpo no mercado financeiro após a divulgação de informações sobre um encontro entre o chefe do governo italiano, seus filhos e o presidente do grupo de comunicação Mediaset, em Arcore, próximo de Milão, no norte da Itália.

Mais tarde, Ferrara disse que suas declarações eram um conselho sobre a "única saída possível" para evitar "uma agonia política sem pés nem cabeça". Berlusconi enfrenta a dissidência de três deputados de seu partido, o Povo da Liberdade (PDL), que se uniram à oposição centrista, e o descontentamento de dezenas de correligionários, o que fez a coalizão do governo perder a maioria absoluta de 316 cadeiras na Câmara de Deputados. A situação é tão incerta que um integrante do governo — o ministro sem pasta Gianfranco Rotondi — considerou ontem que a queda do governo é uma possibilidade iminente. "Se tivermos maioria, vamos continuar, caso contrário vai haver eleições", disse.