Grupos voltam às ruas em atos contra e pró-impeachment

 

31/07/2016

Valmar Hupsel Filho

Pedro Venceslau

Gilberto Amendola
 
 

A cerca de um mês da votação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado, milhares de pessoas devem voltar às ruas de centenas de cidades brasileiras neste domingo em manifestações organizadas por grupos pró e contra o impedimento definitivo da petista.

Marcados para o mesmo dia, os protestos são antagônicos não só nas reivindicações, mas também na expectativa em torno da mobilização de manifestantes.

O Vem Pra Rua, principal organizador de atos pró-impeachment, sai isolado após desistência de outros grupos, como o Movimento Brasil Livre e o Nas Ruas. A expectativa do principal porta-voz do VPR, o empresário Rogério Chequer, é de um ato mais esvaziado do que os anteriores, quando milhares de pessoas tomaram a Avenida Paulista e centros de outras cidades.

“Não é nosso objetivo quebrar recordes”, diz. Segundo ele, há uma menor mobilização porque há uma “transição de causas”. “As bandeiras estão mudando”, afirma. O grupo deve levar manifestantes às ruas em 201 cidades em 26 Estados brasileiros, além de sete cidades no exterior. As principais bandeiras, além do impeachment, são o fim do foro privilegiado, a implementação do voto distrital e a renovação política.

Já a Frente Povo Sem Medo, que reivindica o retorno de Dilma à Presidência e defende a realização de novas eleições, estima ser este um dos seus mais representativos atos, confirmados em 15 capitais brasileiras e sete cidades no exterior. Em São Paulo, o ato será realizado no Largo da Batata, com possibilidade de seguir em marcha com destino a ser definido pelos manifestantes.

“Há uma mobilização mais forte do que nos atos anteriores nas redes sociais. Nossa expectativa é de ser um ato relevante e seguramente maior do que eles vão fazer na Avenida Paulista”, diz o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, um dos organizadores da frente. Segundo ele, não há a intenção de seguir em direção à Paulista – para evitar confronto.

Além do “Fora, Temer”, os motes são: o povo deve decidir, pano de fundo para o pedido de realização de novas eleições; a defesa dos direitos sociais; e uma reforma política. “Os atos foram marcados no mesmo dia para colocar de forma clara os dois projetos políticos que estão postos para o País”, diz.

 

Lurdinha e Evinha. A empresária Lurdinha Marques, de 47 anos, estará na Paulista enquanto a atriz Evinha Sampaio, de 57, vai para o Largo da Batata. Como não devem se encontrar, a reportagem pediu para que uma dissesse o que pensa da outra.

“Se vai protestar contra a corrupção, porque ficou calada em relação ao Eduardo Cunha? Essas manifestações não são contra a corrupção. São contra o PT”, disse Evinha. Já Lurdinha diz que não consegue entender quem ainda defende Dilma: “Não fui eu quem colocou Temer lá. Foi a própria Dilma”.

 

MOBILIZAÇÃO

‚óŹ Atos marcados pelo País defendem impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, apoio à Operação Lava Jato e aprovação do pacote anticorrupção no Congresso

 

No exterior

Nova York

Los Angeles

Toronto

Boston

Lisboa

Milão

 

Concentração em São Paulo Avenida Paulista (esquina com a Pamplona), às 14h

 

O Estado de São Paulo, n. 44847, 31/07/2016. Política, p. A9