Luciana Amaral
01/07/2016
Em entrevista concedida em Brasília à revista francesa L’Express, divulgada anteontem, a presidente afastada Dilma Rousseff afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será candidato ao Planalto em 2018. “É a razão principal do golpe de Estado: prevenir que o Lula se apresente à Presidência.
Apesar de todas as tentativas de destruir a sua imagem, Lula continua entre as pessoas mais amadas.
Eu posso te dizer que ele vai se apresentar na próxima eleição”, afirmou.
Questionada sobre o processo de impeachment no Congresso – o julgamento final deve acontecer até o fim de agosto –, a presidente afastada se disse injustiçada quanto à forma como “foi tirada do poder”.
Ela afirmou que não cometeu crime de responsabilidade e que apenas aprovou quatro decretos para créditos suplementares a fim de financiar, principalmente, hospitais. “Não sou o primeiro presidente a agir assim.
O Fernando Henrique Cardoso aprovou 23 decretos similares. Na verdade, é apenas um pretexto”, disse a petista.
Grampos. Dilma defendeu o PT, reafirmou que não sabia do esquema de corrupção na Petrobrás e criticou os grampos de conversas da petista divulgados pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na 1.ª instância da Justiça.
“Não importa o país do mundo, divulgar o registro de uma conversa do chefe de Estado seria um crime.” A presidente afastada ainda comentou a saída de três ministros do governo Michel Temer por causa da Lava Jato. Segundo ela, o momento político no Brasil “é grave”.