Russomanno diz que não teme STF
O PRB oficializou ontem a candidatura do deputado Celso Russomanno para disputar a Prefeitura paulistana pela coligação “São Paulo sabe, a gente resolve” em parceria com PSC, PTN e PEN. Líder nas pesquisas de intenção de voto, Russomanno disse que “está tranquilo” com relação ao julgamento no Supremo Tribunal Federal, previsto para agosto, de uma ação na qual é réu por supostamente empregar recursos públicos da Câmara para pagar salários de uma funcionária que atuava para sua produtora de TV.
“Eu não tenho insegurança jurídica nenhuma. Assim como o meu caso existem outros 116 casos análogos e todos foram arquivados porque a condição de assessor parlamentar no Estado permite que ele tenha mais de uma atividade”, declarou Russomanno, após ser aclamado pela coligação em um salão de festas na zona leste.
O ministro Marcos Pereira (Indústria, Comércio Exterior e Serviços), do governo Michel Temer, participou da convenção, ao lado do presidente nacional em exercício do PRB, senador Eduardo Lopes.
Atualmente em seu quinto mandato parlamentar, Russomanno foi condenado em primeira instância judicial em 2014. A Justiça impôs a ele 790 horas de serviços comunitários e doação de 25 cestas básicas.
Sob alegação de inocência, a defesa recorreu ao Supremo, instância que detém competência para julgar deputados. Caso seja condenado pela Corte, se enquadrará na Lei da Ficha Limpa e se tornará inelegível.
“Está no Ato 72 da Mesa da Câmara, de 1997. Ela (a funcionária) não trabalhava na produtora. Ela trabalhava no escritório político. Naquela época não existia verba de gabinete. As verbas de gabinete para locação de imóveis nos Estados foi criada em abril de 2001. O período que estamos falando é anterior a isso, ou seja, todos os deputados federais, sem exceção, naquela época tinham os seus funcionários nas projeções das suas atividades privadas, todos os 513 deputados.
Não é uma questão minha. Aqueles que eram médicos nos seus hospitais, aqueles que eram dentistas nos seus consultórios, os advogados nos seus escritórios.
Isso é a pura verdade.” Segundo Russomanno, a partir de abril de 2001 foi criada a verba para que deputados locassem nos Estados “uma projeção da Câmara para que esses assessores parlamentares pudessem estar lá”. “Então, se a minha atividade era produção de TV eu ia manter os meus assessores aonde? Na rua? Não, eles lá atendendo os consumidores, que é a minha bandeira. Estou tranquilo.
Vamos para a eleição.”
Campanha. Russomanno disse que sua campanha vai ser marcada pela “humildade”, dada a dificuldade de angariar doações. A partir deste ano, elas só podem ser realizadas por pessoas físicas – empresas estão alijadas.
“A verba vai sair de doação das pessoas físicas. Vamos fazer um programa e pedir para que as pessoas façam doação. Vamos trabalhar dentro do orçamento que a gente tiver.” Ele disse como pretende conquistar votos para chegar à Prefeitura.
“A campanha vai ser andando pelas ruas, uma campanha muito saudável. Não vamos ter financiamento empresarial, as pessoas vão ajudar. Vai ser uma campanha mais humilde. Precisamos diminuir o preço das campanhas eleitorais e com a ajuda das pessoas. Estamos chamando a cidadania das pessoas por uma campanha que vai ser modelo para todas as outras.” O nome do vice não foi escolhido, segundo ele. “Estamos discutindo, em mais uma semana, com certeza, vamos anunciar.”
Lava Jato
O ministro Marcos Pereira fez uma relação do dinheiro da campanha de Haddad em 2012 com a Lava Jato. “Muito desse dinheiro hoje está aí nos autos (da operação).” Haddad não comentou
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Oficializada ontem como candidata à Prefeitura de São Paulo pelo PSOL, a deputada Luiza Erundina afirmou que, caso eleita, vai trabalhar para fortalecer a cidade no governo federal e para reafirmar o protagonismo de São Paulo no País.
“Quando fui prefeita, articulei, com outros prefeitos de outras capitais, a criação da Frente Nacional de Prefeitos, que ainda existe”, disse a candidata do PSOL. “Vamos continuar usando essa frente como um instrumento político para a defesa dos municípios.” Segundo Erundina, assim como governadores têm conversado com o governo federal sobre renegociação de dívidas, ela também, como prefeita, quer estabelecer uma linha de diálogo direta com a esfera federal.
Economia. Dentre as prioridades de uma eventual gestão, a candidata afirmou que pretende tomar medidas para promover o crescimento econômico da cidade. “São Paulo representa quase 15% do PIB. Queremos imprimir iniciativas voltadas ao crescimento econômico da cidade, para que se possa, com a economia crescendo, ampliar a capacidade de resposta das políticas públicas e sociais.” Candidato a vice-prefeito, o deputado Ivan Valente (PSOL) destacou o combate à desigualdade como uma das bandeiras da chapa. “É preciso inverter as prioridades e atender os mais necessitados”, declarou.
Erundina apontou ainda a articulação dos sistemas de transporte de São Paulo e dos demais municípios da região metropolitana como uma das medidas a serem adotadas para melhorar a mobilidade urbana. “Um sistema só não dá conta da complexidade e da dinâmica de uma cidade que se transforma anualmente”, disse. “As pessoas moram em uma cidade e trabalham em outra. É necessário ter uma ação articulada entre a capital e os municípios da região metropolitana para potencializar e articular soluções.” Diálogo. Segundo Erundina, apesar do pouco tempo de TV – 10 segundos em cada bloco diário do horário eleitoral – o PSOL aposta no diálogo com a sociedade e na militância política para vencer as eleições.
Negociação
“São Paulo não vai pedir de pires na mão a nenhum governo, vai exigir aquilo que contribui para a geração de riqueza do País.”
Luiza Erundina
CANDIDATA DO PSOL À PREFEITURA DE SÃO PAULO
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O PCdoB oficializou ontem a candidatura da deputada federal Jandira Feghali para disputar a prefeitura do Rio. Será a quarta vez que ela concorre ao cargo.A convenção, realizada no Sindicato dos Metalúrgicos do Rio, também formalizou Edson Santos (PT) como candidato a vice-prefeito. A parlamentar está em seu sétimo mandato na Câmara e, atualmente, é líder da oposição na Casa.
O Estado de São Paulo, n. 44841, 25/07/2016. Política, p. A5