Votação é adiada para hoje; senadores indicam cassação 

Ricardo Brito, Isadora Peron, Vera Rosa, Tânia Monteiro e Carla Araújo

31/08/2016

 

 

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, deixou para esta quarta-feira, 31 a votação final do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, depois de um dia de discursos dos senadores inscritos e da apresentação final de defesa e acusação. 

Para tentar consolidar os votos a favor do afastamento, o governo do presidente em exercício Michel Temer fez uma ofensiva e assegurou o apoio de três senadores do Maranhão que eram assediados por aliados de Dilma, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os senadores Roberto Rocha (PSB), João Alberto Souza (PMDB) e Edison Lobão (PMDB) decidiram se posicionar a favor do impedimento da petista, superando, assim, de acordo com o Placar do Impeachment do Estado, o número mínimo de 54 votos favoráveis à condenação de Dilma por crime de responsabilidade. Com isso, o número de apoios ao impeachment atingiu 55 senadores no levantamento.

A sessão de votação do processo – após cinco dias de julgamento – está marcada para começar às 11 horas.

Apesar do discurso de que se mantinha neutro em relação ao julgamento, o governo Temer tentou, sem sucesso, atuar ontem para acelerar os pronunciamentos dos senadores, a fim de tentar viabilizar a votação ainda na madrugada de hoje.

Interlocutores de Temer buscaram convencer parlamentares da base a abrir mão de suas falas – na fase de testemunhas e do depoimento de Dilma, por exemplo, seis dos 19 senadores do PMDB, maior bancada do Senado e partido de Temer, falaram. Contudo, a última versão da lista de oradores até a conclusão desta edição contabilizava 66 senadores para falar, dez dos quais peemedebistas.

O receio do Palácio do Planalto era atrasar a primeira viagem internacional de Temer como efetivo, para a reunião do G-20 na China. Confirmado o impeachment, após Temer tomar posse no Congresso, ele fará uma reunião ministerial no palácio que terá a presença de líderes da base da Câmara e do Senado (mais informações na pág. A8). No fim da tarde, a equipe econômica entregará ao Congresso o Orçamento de 2017.

Acerto. O voto em bloco da bancada maranhense foi antecipado no início da noite de ontem pela Coluna do Estadão. Cargos e negociações políticas entraram no acerto. Roberto Rocha deverá indicar o novo diretor Financeiro e de Crédito do Banco do Nordeste, em substituição a Romildo Rolim, apadrinhado do líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira.

João Alberto Souza e Edison Lobão – o último, ex-ministro de Minas e Energia nos governos Lula e Dilma – receberam indicativos da cúpula do PMDB de que terão apoio para suas campanhas à reeleição em 2018. O temor é o de perderem a vaga para a ex-governadora Roseana Sarney (MA), que poderia voltar ao Senado.

Estimativa. O governo contabiliza que terá, na votação de hoje, ao menos 59 votos a favor do impedimento de Dilma, mesmo número da votação do início de agosto que transformou Dilma em ré no processo. Na reta final do julgamento, no entanto, o Planalto tentou conquistar apoios e temeu perder votos diante da investida principalmente do ex-presidente Lula.

Temer ligou no domingo para o líder do PR no Senado, Wellington Fagundes (MT), que havia sido internado no dia anterior após ter passado mal e ser diagnosticado por um hospital de Brasília com diverticulite. Fagundes recebeu alta anteontem, no início da tarde, e garantiu que, apesar da recomendação médica de repouso, votará no julgamento final, hoje.

O líder do PMDB também telefonou para Fagundes e contabiliza o voto dele a favor da condenação de Dilma, de quem já foi um dos vice-líderes do governo no Senado. No Placar do Impeachment, contudo, ele não quis responder como vai votar.

Aliados de Temer dizem que contiveram o assédio que recebeu o senador Davi Alcolumbre, do DEM do Amapá, para votar a favor de Dilma. Interlocutores do presidente em exercício no Senado afirmaram que ele recebeu a oferta de pessoas ligadas à petista de que assumiria um ministério caso Dilma voltasse ao Palácio do Planalto. Aliados de Temer prometeram respaldo político no Estado. No placar, Alcolumbre consta como favorável ao impeachment.

Apesar de ainda haver seis senadores indefinidos no levantamento do Estado, o governo contabiliza quatro votos favoráveis ao impeachment da presidente afastada: além de Fagundes, Jader Barbalho (PMDB-PA), Acir Gurgacz (PDT-RO) e Fernando Collor (PTC-AL).