Vera Rosa
27/08/2016
Lula faz última investida para tentar reverter votos a favor de sucessora; ele tem conversa reservada com o senador do PMDB.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou ontem em Brasília para tentar conquistar votos contra o impeachment de Dilma Rousseff, que está afastada do Palácio do Planalto desde 12 de maio. Além de se encontrar com sua sucessora, Lula teve uma conversa reservada com o senador Edison Lobão (PMDB-MA).
Com três integrantes, a bancada do Maranhão no Senado promete votar em bloco e demonstra insatisfação com o loteamento de cargos federais pelo presidente em exercício Michel Temer. Questões regionais, como as disputas para as prefeituras, em outubro, também pesam na decisão do grupo.
Lobão foi ministro de Minas e Energia nos governos de Lula e Dilma. Votou contra a presidente afastada, mas agora diz estar indeciso. Quer concorrer à reeleição ao Senado, em 2018, mas, se a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) disputar a vaga, não haverá espaço para a candidatura dele.
O PT também tenta atrair o senador João Alberto (PMDB-MA) – que havia se posicionado a favor de Dilma, mas na sessão de pronúncia foi contra – e Roberto Rocha (PSB-MA).
Na ofensiva para aprovar a deposição de Dilma, Temer também recebeu os três senadores maranhenses em seu gabinete no Planalto, no último dia 23. A ordem da cúpula petista, agora, é atender às reivindicações de todos eles nas disputas municipais, mesmo que para isso seja necessário mudar parceiros nas alianças. Em conversas reservadas, os senadores também dizem estar sendo pressionados por eleitores, já que Dilma teve votação significativa no Maranhão e, apesar da crise, ainda mantém uma rede de apoio.
O governador Flávio Dino (PCdoB) sempre foi aliado do PT, mas não escondeu a contrariedade com algumas dobradinhas feitas pelo partido na campanha para as prefeituras.
Mesmo com o empenho de Lula, porém, a chance de Dilma vencer a batalha do impeachment é considerada remota. A presidente afastada irá ao plenário do Senado na próxima segunda- feira para se defender. Estará acompanhada de seu padrinho político e de outras 32 pessoas, a maioria ex-ministros. Dilma foi aconselhada a fazer um pronunciamento forte, sem meias palavras, dizendo que o processo de impeachment só foi aberto porque ela não cedeu à pressão para barrar a Lava Jato.
Galeria
Em reunião com senadores do PT, o ex-presidente Lula disse que prefere acompanhar o pronunciamento de Dilma da galeria do Senado. Os petistas temem que os dois sejam hostilizados.