Título: Sucessão na Itália
Autor: Martins, Victor
Fonte: Correio Braziliense, 11/11/2011, Economia, p. 11

Roma — Pressionada pelos mercados e pelos vizinhos europeus, a Itália vai acelerar o processo de formação de um novo governo na tentativa de tranquilizar os credores de sua imensa dívida de 1,9 trilhão de euros. O economista Mario Monti, diretor da prestigiosa Universidade Bocconi, de Milão, é o mais indicado para suceder o primeiro-ministro Silvio Berlusconi, que já antecipou sua renúncia. A candidatura foi reforçada ontem com o apoio explícito do próprio Berlusconi, que, em uma carta de felicitações, desejou a Monti um "frutífero trabalho pelo interesse do país".

A nomeação do economista como senador vitalício pelo presidente Giorgio Napolitano também foi interpretada como prelúdio para a ascensão dele à liderança. A aprovação de um novo governo a toque de caixa tem o objetivo imediato de frear a alta vertiginosa dos juros que o país tem sido obrigado a pagar para rolar a dívida no mercado, que não se acalmou apenas com o anúncio da saída de Berlusconi. A possibilidade de um governo liderado por Monti diminuiu, porém, a pressão da União Europeia (UE).

Exigências O veterano chefe de Estado, de 86 anos, acelerou a aprovação do pacote de medidas exigidas pela UE para acalmar os mercados. Apesar da dificuldade de chegar a um acordo entre todos os partidos, tudo indica que os parlamentares vão optar por um governo liderado por Monti e evitar a antecipação das eleições. A decisão será tomada no fim desta semana ou na próxima segunda-feira, depois da aprovação no parlamento da chamada lei de estabilidade com as medidas anticrise para 2012.

Apelo do FMI A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Cristina Lagarde, fez um apelo ontem em favor da rápida solução da crise política italiana. "Uma maior clareza política deve favorecer a estabilidade", disse. A chanceler alemã, Angela Merkel, também insistiu para que a Itália esclareça a questão governamental para "restaurar a credibilidade".