Título: Papademos é nomeado
Autor: Martins, Victor
Fonte: Correio Braziliense, 11/11/2011, Economia, p. 11
Recessão pela frente A palavra recessão ganha cada dia mais destaque nos documentos da Comissão Europeia. "A economia mundial está em perigo", alertou ontem o comissário europeu de Assuntos Monetários, Olli Rehn. A situação continua alarmante na Grécia e na Espanha, tomadas por índices elevados de desemprego. Nos países centrais, a tensão tem se elevado entre a população, principalmente diante da ameaça de que a crise, que já bate às portas da Itália, chegue também à França.
"O crescimento parou na Europa e podemos entrar em uma nova fase de recessão", advertiu Rehn. "Não se pode descartar uma recessão profunda e prolongada, somada a novas turbulências nos mercados financeiros", avaliou o diretor-geral de Assuntos Econômicos e Monetários, Marco Buti. A c omissão reduziu a previsão de crescimento do bloco econômico de 1,8% para 0,5% em 2012. Também encolheu as expectativas para 2013, de 1,8% para 1,3%.
Até o Natal parece comprometido. Segundo a consultoria Cabinet Deloitte, os consumidores vão gastar, em média, 0,8% menos que em 2010 na compra de presentes, o que derrubou o gasto médio previsto para o período para 587 euros. A Grécia terá as piores festas, com despesas 22,1% menores, seguida de Portugal, com recuo de 7,9%, Irlanda (-7,45) e Itália (-2,3%). (VM)
Atenas — O economista Lucas Papademos será o chefe do governo de coalizão que conduzirá a Grécia até as eleições gerais, previstas para fevereiro. Em sua primeira declaração como primeiro-ministro, Papademos, de 64 anos, disse que o país vive uma encruzilhada decisiva, pediu união aos gregos e manifestou disposição de trabalhar para manter a Grécia na Zona do Euro. "Estou convencido de que a participação no euro é uma garantia de estabilidade monetária e um fator de estabilidade econômica", afirmou, ao deixar um encontro com o presidente Carolos Papoulias, que fez a indicação depois de costurar nos últimos quatro dias um difícil acordo entre os partidos.
Ex-vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Papademos tomará posse hoje no lugar de George Papandreou, que renunciou depois de uma tentativa malfadada de submeter a referendo popular o pacote de socorro financeiro ao país elaborado pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Ratificar os termos desse acordo será a primeira tarefa do novo mandatário para desbloquear os empréstimos que podem evitar a moratória da Grécia. "É importante que o novo governo de coalizão da Grécia envie uma mensagem de confiança a seus sócios europeus e que demonstre o compromisso de fazer o necessário para reativar a economia", afirmou o presidente da CE, José Manuel Durão Barroso, em um comunicado.
Colapso afetaria EUA Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), disse ontem que os Estados Unidos não escapariam das consequências de um colapso na Europa. Ele acrescentou ser importante que líderes europeus tomem as medidas necessárias para acabar com a crise financeira. "É realmente muito importante que eles (os líderes europeus) implementem esses passos, que eles os executem com força e que tomem as medidas necessárias para conter a crise europeia", afirmou Bernanke em fórum em Fort Bliss, no estado do Texas.