Título: O homem dos favores
Autor: Jeronimo, Josie
Fonte: Correio Braziliense, 13/11/2011, Política, p. 3
Adair Antônio de Freitas Meira é referência no PDT quando o partido precisa de algum favor, político ou prático. O presidente da Fundação Pró-Cerrado, a entidade com o maior valor de contratos com o Ministério do Trabalho para capacitação profissional (R$ 14 milhões), costuma repetir que não destina parte do dinheiro para o caixa de campanha do partido, mas diz a interlocutores que não vê problemas em prestar favores, como o pagamento de um jantar político, a interlocução com lideranças locais e, conforme revelado pela revista Veja, o pagamento do aluguel de um avião para o ministro Carlos Lupi.
A estratégia de Lupi e Adair é dizer que não se conhecem. Numa entrevista ao Correio em julho, Lupi disse desconhecer a entidade presidida por Adair. "A Pró-Cerrado faz o quê? Que tipo de capacitação?", desconversou. Já Adair despista a relação dele com o ministro dizendo que Lupi faz referências a ele apenas como "aquele de cabeça branca". Não é bem assim. Coube a Adair ser o braço direito do ex-chefe de gabinete de Lupi: Marcelo de Oliveira Panella, tesoureiro do PDT, designado interventor da legenda em Goiás. A Fundação Pró-Cerrado tem sede em Goiânia, e foi Adair quem ciceroneou Panella. Coube ao presidente da fundação resolver uma pendência política local: assegurar o apoio do PDT a um dos candidatos ao governo estadual em 2010. Adair fez a ponte para Panella, e a aliança foi selada.
Adair é muito próximo à deputada federal Flávia Morais (PDT-GO), acusada pelo Ministério Público Federal (MPF) de compra de votos nas eleições passadas. Segundo a denúncia, ela pediu votos em troca do ingresso de adolescentes em programa executado pela Fundação Pró-Cerrado. Flávia era secretária estadual de Trabalho. À frente do cargo, destinou quase R$ 30 milhões para a fundação executar o programa. A interlocutores, Adair diz ter recebido diversos ofícios da então secretária com pedidos para inclusão de jovens no programa. E admite ter sido sondado para destinar parte do dinheiro do MTE para o PDT. Ao Correio, Flávia e Adair negam.
Sobre a presença de Panella em Goiás, afastado em agosto do MTE por suspeita de cobrança de propina, Flávia afirma que ele "entrou só como intermediador, para resolver problemas locais". A Fundação Pró-Cerrado é ré na Justiça Federal do DF por suposto favorecimento pelo MTE na seleção para a qualificação profissional. A CGU já detectou diversas irregularidades na execução dos convênios.
R$ 14 milhões Valor dos contratos firmados pela Fundação Pró-Cerrado com o Ministério do Trabalho